Gesto obsceno de secretário provoca confusão em reunião de conselho da Prefeitura de BH

Participantes pediam esclarecimentos sobre projeto Nova BH; MP pede rejeição de estudo

Polícia Militar foi chamada para registrar ocorrência

Polícia Militar foi chamada para registrar ocorrência

Brasilinha do Lacerda, não! / Divulgação

Terminou em bate-boca e ocorrência policial a reunião do Compur (Conselho Municipal de Política Urbana), na Secretaria de Municipal de Meio Ambiente, em Belo Horizonte, nesta quinta-feira (27). O secretário-adjunto de Planejamento Urbano Marcelo Faulhaber se exaltou com a presença de manifestantes e apontou o dedo do meio  para alguns deles. A Polícia Militar foi chamada para conter a confusão.

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A assistente social Fernanda de Paoli, 27 anos, presenciou a confusão.

— O projeto está sendo conduzido às escuras, sem debate, pois os cidadãos não têm acesso ao que vai ser a operação. As pessoas pediam mais transparência nessa discussão, quando o secretário Marcelo se exaltou e mostrou o dedo do meio para as pessoas. Uma das mulheres que se sentiu agredida chamou a polícia para registrar a agressão. Não é a primeira vez que o secretário se sente incomodado com a participação popular.

Faulhaber não foi encontrado para explicar sua posição sobre o tumulto.

O conselho discutiria o projeto Nova BH, que pretende alterar o padrão de construções de imóveis e vias públicas ao longo das principais avenidas nas próximas duas décadas. Se aprovado, o projeto permitirá a compra de licenças de construção para permitir empreendimentos imobiliários. Com o dinheiro, a prefeitura poderia ampliar vias, entre outras operações urbanas.

Uma nova reunião do Compur está marcada para o dia 19 de dezembro, segundo a Prefeitura.

MP recomenda rejeião de estudo

Após a reunião, o Ministério Público recomendou ao Compur que rejeite o Estudo de Impacto de Vizinhança da Operação Urbana Consorciada Nova BH apresentado pela prefeitura. Para a promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo, a prefeitura deu acesso privilegiado sobre o projeto ao setor imobiliário, permitindo que empresas opinassem antes do conhecimento da população sobre o projeto.

Para as promotoras de Justiça Marta Alves Larcher e Cláudia Ferreira da Silva, “há indícios de que a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte esteja realmente restringindo o acesso do público ao projeto da operação urbana Nova BH, na medida em que optou por apresentá-lo em gabinete fechado, ao procurador-geral de Justiça, ao invés de fazê-lo em audiência pública especialmente designada para esse fim, numa possível tentativa de esvaziá-la”.