Há três anos, fechamento do comércio por causa da Covid-19 era decretado em Belo Horizonte
Até o dia 15 de março de 2023, 8.441 pessoas morreram vítimas da doença na capital mineira
Minas Gerais|Akemí Duarte, da Record TV Minas, e Arnon Gonçalves*, do R7

Para muitas pessoas, a data de 20 de março de 2020 nunca será esquecida. Neste dia, o então prefeito Alexandre Kalil assinou o decreto que fechou o comércio e proibiu aglomerações nas ruas de Belo Horizonte, após a confirmação de pessoas infectadas com o vírus da Covid-19 na cidade.
A partir desta data, planos precisaram ser adiados, rotinas mudaram completamente e os moradores da capital tiveram que conviver com uma nova realidade. Com isso, teve início uma corrida por álcool em gel e máscaras, acessórios que começaram a desaparecer das prateleiras dos supermercados.
Durante este período, o comércio foi aberto e fechado várias vezes, e eventos foram cancelados. Além disso, muitas famílias viram a renda diminuir e as dívidas acumularem. Com a nova realidade imposta pela pandemia, as pessoas precisaram se desdobrar dentro de casa.
Assim que saiu o decreto que fechava o comércio, a Prefeitura de BH criou um comitê de enfrentamento à pandemia. Neste cenário, os profissionais da saúde se viram sobrecarregados com uma demanda por atendimento cada vez maior, e uma rotina marcada por falta de suprimentos, morte e fake news.
O infectologista Unaí Tupinambás conta que além do cansaço diário das pessoas que trabalhavam na área da saúde, eles precisaram lidar com ameaças e descrédito por parte de quem produzia as fake news. “Naquele momento, eu não estava preocupado com a minha segurança física. Estávamos preocupados em fazer o melhor para proteger a população de Belo Horizonte”, conta o médico.
Despedida precoce
Do início da pandemia em 2020 até o dia 15 de março de 2023, 8.441 pessoas morreram vítimas de Covid-19 em Belo Horizonte. Enquanto de janeiro a abril de 2021, cerca de 1.700 pessoas morriam a cada dia no Brasil vítimas da Covid. Assim, várias famílias foram obrigadas a não apenas conviver com o isolamento, como também com a partida precoce de pessoas queridas.
Ainda em dezembro de 2020, o mineiro Carlos foi internado em estado grave após contrair a doença. “Só lembro quando eu cheguei lá e o médico me falou que a chance era mínima”, conta Carlos. Ele ficou 4 meses internado e 3 meses com acompanhamento diário já que até mesmo tarefas simples, como subir escadas, eram muito difíceis para ele.
Vacina
A primeira remessa da vacina contra a Covid-19 chegou no aeroporto internacional de Confins, em Belo Horizonte, no dia 18 de janeiro de 2021. A técnica em enfermagem, Maria do Bom Sucesso Pereira, foi escolhida para ser a primeira pessoa imunizada no estado. “Me sinto curada, foi essa a sensação”, contou a profissional de saúde após receber a dose ainda no aeroporto.
A vacinação na capital mineira começou um dia após a chegada da remessa. Um ano depois, Belo Horizonte atingiu 100% da cobertura vacinal da população acima de 12 anos com a primeira dose.
Com o avanço da imunização e a eficácia das medidas de isolamento social, o decreto de calamidade chegou ao fim no dia 31 de março de 2022. O lockdown em Belo Horizonte foi o mais longo entre as capitais do Brasil e as ações de combate à pandemia foram destaque em um estudo internacional.
*Estagiário sob supervisão de Maria Luiza Reis















