Minas Gerais "Horroroso", diz idosa sobre black power de atendente de drogaria

"Horroroso", diz idosa sobre black power de atendente de drogaria

Cliente foi conduzida à delegacia de Uberaba (MG) após ser acusada de injúria racial; vídeos mostram as críticas da mulher

Jovem afirma que vai processar suspeita de injúria

Jovem afirma que vai processar suspeita de injúria

Reprodução / Record TV Minas

Um funcionário de uma farmácia em Uberaba, a 481 km de Belo Horizonte, denuncia ter sido alvo de injúria racial após uma cliente do estabelecimento fazer críticas ao seu corte de cabelo.

De acordo com testemunhas, a suspeita, de 66 anos, estaria discutindo com uma atendente do local.

Luís Henrique de Oliveira observou o desentendimento entre as duas e decidiu chamar a gerente. Oliveira conta que começou a ser xingado após pedir para a mulher se acalmar.

— Ela estava nervosa, gritando também. Começou a me humilhar, disse que eu deveria voltar para o gueto, me chamou de moleque, falou que o meu cabelo ocupava muito espaço e que não poderiam entrar mais clientes no lugar por causa do meu cabelo.

Após os xingamentos, a vítima acionou a Polícia Militar. Em um vídeo registrado por um colega de trabalho de Oliveira, a mulher conversa com alguém no telefone e relata o que teria acontecido.

— O cabelo dele não pode ser desse tamanho. Ele está atrapalhando as pessoas no mundo. Se o cabelo é ruim ou não, isso é da raça, eu não tenho nada com isso. O rapaz nem quis ir comigo, disse que pediu uma viatura especial pra ele, porque o cabelo dele não deve caber nessa aqui.

Em outro vídeo, a suspeita já aparece dentro da viatura. Mais calma, ela afirma que também é negra, mas volta a criticar o cabelo do jovem.

— Horroroso. Todo mundo está alisando cabelo. Eles têm que saber que não são donos do mundo. Tem toda uma regra, um contexto existencial. A gente tem que ter respeito pelo mundo, pelas pessoas. Eu também sou negra. No Brasil não tem ninguém branco.

O atendente afirma ter sido vítima de racismo outras três vezes no local de trabalho, mas não fez boletim de ocorrência. Rodrigues afirma que decidiu fazer a denúncia dessa vez porque quer ser respeitado.

— Nós temos que ser reconhecidos como pessoas, não como alguém que tem ‘cabelo feio’ ou ‘pele feia’. Eu quero justiça, quero que ela pague, assim como todos os racistas. Não vou aceitar mais isso.

A ocorrência foi registrada pela PM como injúria. A idosa  foi conduzida e assinou um termo se comprometendo a comparecer à audiência. A vítima vai pedir que a suspeita também seja acusada de racismo, pois as falas teriam ofendido toda a comunidade negra.

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