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Lama já avançou 50 km a mais que o previsto no mar do ES

Rejeitos atingiram 63 km do Oceano Atlântico; previsão da área atingida era de 9 km

Minas Gerais|Do R7, em Belo Horizonte

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Lama segue invadindo o Oceano Atlântico
Lama segue invadindo o Oceano Atlântico

A lama da barragem que se rompeu em Mariana, na região central de Minas Gerais, já se deslocou por 63 km no Oceano Atlântico. Desde que atingiu a foz do rio Doce, em Linhares, no litoral do Espírito Santo, os rejeitos superaram em 54 km a previsão de dispersão divulgada pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Estudos feitos pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) a pedido do Ibama indicavam que a onda de lama atingiria 3 km ao norte e 6 km em direção ao sul do mar capixaba. Na quarta-feira (25), o Iema (Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos) informou que os rejeitos deslocaram-se 8 quilômetros ao sul, 20 quilômetros ao leste e 35 quilômetros ao norte.


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Segundo o órgão, o deslocamento da lama recebe influência do comportamento das ondas e da direção do vento, por isso pode mudar a todo momento.

A preocupação de ambientalistas é com o Arquipélago de Abrolhos, na Bahia, e os manguezais de Vitória, capital do Espírito Santo. A ministra disse que o material não deve chegar aos santuários. Segundo ela, tradicionalmente as correntes marítimas vão para o sul nesta época do ano.


— Não se espera uma dispersão de 200 quilômetros como imaginam.

O Arquipélago de Abrolhos fica no litoral sul da Bahia, a 250 km da foz do rio Doce. Vitória está a 150 km. A lama, que percorreu 800 km desde o dia 5 de novembro, atingiu o mar no último domingo.


Nesta quinta-feira (26) o navio Vital de Oliveira, o mais moderno da Marinha brasileira, parte para Regência com profissionais do Iema e de universidades, onde fica até o dia 30 para analisar a contaminação do mar. Segundo o secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo, Rodrigo Júdice, as amostras serão levadas para Vitória.

— Temos que saber a extensão destes danos e os quantificar para que possamos cobrar mais medidas de ressarcimento e mitigação dos impactos.

Multas

As multas de R$ 250 milhões aplicadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) à Samarco será recolhida ao Tesouro Nacional, mas deve constituir um fundo independente para ser aplicado na revitalização do rio Doce. Segundo a ministra Izabella Teixeira, "até segunda-feira a multa ainda não tinha sido paga".

A mineradora também recebeu penalização de R$ 112 milhões da Semad (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), teve R$ 300 milhões bloqueados pela Justiça mineira e firmou acordo com o Ministério Público de Minas Gerais garantindo R$ 1 bilhão para reparar os danos ambientais causados pela tragédia.

* Com informações da Agência Brasil

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