Médico condenado pela morte de menino em MG segue em liberdade
Mandado de prisão foi expedido na última terça-feira (19), após a condenação a 21 anos de prisão; réu esteve em júri remotamente
Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7

O Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, informou nesta sexta-feira (22) que o médico Álvaro Ianhez, de 77 anos, segue em liberdade. Ele foi condenado a 21 anos e 8 meses de prisão, na última terça-feira (19), pela morte do menino Paulo Pavesi, então com 10 anos, em Poços de Caldas, a 420 km de Belo Horizonte.
De acordo com o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o mandado de prisão foi expedido ainda na terça-feira, com validade até 18 de abril de 2042. Como o réu participou do julgamento remotamente, não foi possível prendê-lo logo após o resultado do júri.
Na data, de acordo com o TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), o réu estava em São Paulo. Procurado, o advogado Luiz Chimicatti, que defende Ianhez, informou que não teve contato com o cliente, já que está focado em tentar reverter o pedido de prisão e a condenação.
A sentença para o acusado aconteceu 22 anos após o caso. Outros dois médicos foram condenados a 25 anos de prisão, em janeiro de 2021. Um quarto especialista foi inocentado. De acordo com a denúncia do MPMG (Ministério Público de Minas Gerais), os médicos forjaram a morte de Paulo Pavesi por meio de "ações ou omissões voluntárias", no intuito de destinar os órgãos do garoto para doação.
O menino, então com 10 anos, havia caído de 10 metros de altura enquanto brincava com os amigos no apartamento onde morava e foi levado para o hospital onde Ianhez atendia. No local, o especialista constatou a morte cerebral da vítima. O MP alegou que a legislação proibia o médico de assinar o atestado, já que ele teria interesse nos órgãos. A defesa de Ianhez nega o crime.
"À época do ocorrido, o caso foi apurado e julgado pelo CRM-MG, em consonância com os trâmites estabelecidos no Código de Processo Ético Profissional (CPEP). Nada foi provado contra o médico, que foi absolvido. Seu registro permanece regular no CRM-MG. Esclarecemos que o CRM atua em instância administrativa, Havendo independência entre as instâncias administrativa, cível e criminal", informou o Conselho Regional de Medicina sobre o caso.















