Médicos condenados por tráfico de órgãos terão que cumprir novas ordens após serem soltos
Saída de Poços de Caldas por mais de 15 dias está proibida, além de ida até a Santa Casa
Minas Gerais|Do R7

Os dois médicos condenados por tráfico de órgãos que ganharam a liberdade em Poços de Caldas, no sul de Minas, terão que cumprir novas ordens.
Conforme decisão do juiz da primeira vara criminal da cidade, Narciso Alvarenga Monteiro de Castro, Celso Frasson Scafi e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes estão proibidos de saírem de Poços de Caldas por mais de 15 dias, a não ser com expressa autorização do juízo. Eles também não podem ir até a Santa Casa do município e tiveram o exercício de função pública suspensos. Além disso, os passaportes dos réus foram entregues ao juízo de origem.
Os médicos foram soltos na última sexta-feira (7), após terem o pedido de habeas corpus concedido pela Justiça. Os dois foram presos no dia 6 de fevereiro deste ano devido à acusação de que retiraram, de forma ilegal, os órgãos de um menino de 10 anos. O crime ocorreu em 2000
Scafi e Fernandes foram condenados, respectivamente, a 18 e 17 anos de prisão em regime fechado por submeter o paciente, Paulo Pavesi a procedimentos inadequados, adulteração de diagnóstico da morte encefálica e retirada dos órgãos. O garoto havia caído da grade do playground do prédio onde morava. Eles respondem em outro processo pelo homicídio da criança, que foi aditado e aguarda recurso. Outros quatro médicos recorrem da decisão de terem sido levados a júri popular pela morte. Sérgio Poli Gaspar, já condenado junto com Scafi e Fernandes, teve a prisão preventiva mantida, uma vez que está foragido da Justiça.
Livro detalha crimes
Há três semanas, o pai do menino, Paulo Veronesi Pavesi, lançou o livro "Tráfico de Órgãos no Brasil - O Que a Máfia Não Quer Que Você Saiba", em que detalha os crimes praticados pelos médicos e a rede de proteção política que permitiu aos condenados continuar trabalhando sem qualquer impedimento nos últimos 14 anos. As denúncias da família levaram à instalação da CPI do Tráfico de Órgãos em 2004, quando casos semelhantes vieram à tona, mas todos os pedidos de indiciamento no relatório final foram arquviados. O pai do menino recebeu asilo político na Itália em 2008, alegando perseguição, e hoje vive em Londres.














