Minas Gerais MG dá ultimato e fecha negociações com Vale por dano em Brumadinho

MG dá ultimato e fecha negociações com Vale por dano em Brumadinho

Governo de Minas decidiu deixar a mesa de negociações após ouvir contraproposta da Vale de R$ 29 bilhões

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli, do R7

Rompimento da barragem da Vale deixou 270 vítimas, 11 delas ainda estão desaparecidas

Rompimento da barragem da Vale deixou 270 vítimas, 11 delas ainda estão desaparecidas

Reprodução/Record TV

Depois de mais uma audiência sem acordo, o Governo de Minas, Ministério Público e Defensoria Pública de Minas Gerais deixaram a mesa de negociações e decidiram encerrar a tentativa de conciliação com a Vale.

A gota d'água foi a contraproposta da mineradora, de R$ 29 bilhões, quase metade do pedido apresentado pelo Governo de Minas. O valor diz respeito a reparações econômicas e danos sociais causados pelo rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, em janeiro de 2018.

O governo estadual esperava receber uma contraproposta próxima dos R$ 40 bilhões, mas a mineradora não concordou com o valor. Agora, a Vale tem até o dia 29 de janeiro para apresentar uma proposta final. Caso isso não aconteça, o processo volta a ser julgado pela primeira instância da Justiça. 

De acordo com o secretário-geral do Estado, Mateus Simões, os valores foram considerados baixos. 

- É o momento de a Vale assumir a sua responsabilidade, agir com dignidade e reparar os danos que foram causados aos mineiros ou demonstrar o seu antagonismo com Minas Gerais e a sua posição de inimiga dos mineiros.

Ainda segundo Simões, o Executivo mineiro não tem intenção de "entrar em um leilão" com a mineradora. 

- Os projetos que foram apresentados somam um valor que é o mínimo necessário para garantir a recomposição dos danos gravíssimos causados para a população atingida.

Ainda conforme Simões, ou as partes assinarão o maior acordo da história do Brasil ou a Vale receberá a maior condenação a uma empresa na história do páis. 

- Não estamos aqui para pedir uma ajuda para a Vale. Ela é a criminosa neste processo e precisa mostrar um pouco mais de contrição, demonstrar que ela se arrepende e reconhece a sua responsabilidade e está disposta a por isso pagar o que tem que ser pago para a reparação”

Representantes do MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) e do MPF (Ministério Público Federal) endossaram o coro do Governo de Minas e disseraram que as instituições estão unidas na decisão. 

O procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares Júnior, disse que a posição das instituições é firme em defesa dos atingidos, do meio ambiente e de Minas Gerais.

- Nós não vamos assinar, não concordamos e não aceitamos que valores fiquem abaixo de tudo o que foi feito até agora. A companhia tem que entender que ela causou um mal muito grande ao Estado e tem a oportunidade de reparar

Já o procurador da República Edilson Vitorelli disse que o valor "está muito aquém das necessidades do Estado e das pessoas atingidas."

Outro lado

Em nota, a Vale afirmou que "reconhece, desde o dia do rompimento, sua responsabilidade pela reparação integral dos danos causados" e que tem prestado assistências às famílias e regiões impactadas. 

A mineradora cita que pagou indenizações individuais a cerca de 8.700 pessoas e que já destinou cerca de R$ 10 bilhões a ações de reparação. 

"A Vale considera fundamental reparar os danos causados de maneira justa e ágil e tem priorizado iniciativas e recursos para este fim", diz trecho da nota. 

Ainda de acordo com a Vale, "embora as partes não tenham chegado a consenso, a divergência concentra-se em aspectos relacionados a valores a serem pagos e à sua destinação", diz a nota.

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