Minas Gerais MG investiga aumento de internações por covid no Triângulo

MG investiga aumento de internações por covid no Triângulo

Na contramão dos dados estaduais, Uberlândia (MG) registra crescimento de casos e acende alerta em especialistas

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento, do R7

Uberlândia se aproximou de colapso em hospitais

Uberlândia se aproximou de colapso em hospitais

Daniel Marenco/EFE

O Governo de Minas Gerais investiga o que pode ter causado um aumento de internações por covid-19 na região do Triângulo Mineiro. A área é a única do Estado com cidades na onda vermelha devido à demanda hospitalizar.

Nas últimas semanas, a cidade de Uberlândia, a 536 km de Belo Horizonte, viu a busca por internação em UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo) crescer, chegando próximo a um colapso no início do mês.

Dados da prefeitura apontam que os hospitais da cidade atenderam em média 185 pessoas entre junho e junho. No início de agosto, o total chegou a 220, se aproximando do recorde de 270 internações registradas em março deste ano, em meio ao pico da pandemia.

A cidade tem 61,60% dos moradores atendidos com a primeira dose da vacina contra a covid-19 e 30,99% com o ciclo vacinal completo, que está dentro da média estadual que é de 67,86% e 29,63%, respectivamente.

Explicação

Os índices da cidade vão na contramão dos registros do Estado, que identificou redução das internações nas últimas 13 semanas consecutivamente. A explicação sobre o cenário ainda é um mistério tanto para os gestores locais quanto estaduais.

"O momento demanda cautela e atenção aos protocolos sanitários e medidas não farmacológicas – higienização das mãos, uso de máscaras, uso de álcool gel, etiqueta da tosse – e medidas de distanciamento social", destacou o governo em nota.

Especialistas consultados pelo R7 acreditam que a mudança de cenário pode ter relação com uma possível circulação da variante delta na região. O epidemiologista Stefan Vilages de Oliveira, professor do departamento de saúde da UFU (Universidade Federal de Uberlândia) e coordenador de um projeto que monitora os dados da pandemia na região, avalia como "crítica" a situação do Triângulo Mineiro.

— Estamos nesta crescente com a ocupação de leitos que acontece nos mesmos moldes do que ocorreu no início deste ano, quando viemos a descobrir uma predominância da variante P1 na região.

Os dados oficiais do Governo de Minas, no entanto, ainda não confirmaram a presença da mutação da delta, considerada mais transmissível, nas cidades da região. Oficialmente, o poder público não registrou circulação local da variante.

De acordo com a SES (Secretaria Estadual de Saúde), em média, 180 materiais genéticos estão sendo mapeados semanalmente. Eles são de pacientes de nove regiões, escolhidas de forma estratégica, segundo o governo.

No Triângulo, a cidade monitorada até o momento foi Uberada. "O critério para escolha da amostragem junto às regionais foi de localização geográfica", pontuou a SES.

Renan Pedra, pesquisador da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), membro do laboratório responsável por fazer as análises, explica que Uberlândia ainda não entrou na lista por limitação de logística. O especialista acredita que os dados da cidade serão incluídos no estudo nas próximas semanas.

Em reunião na última semana, o Secretário de Saúde de Uberlândia anunciou que a cidade vai contratar uma empresa de Goiás para avaliar a possível presença da delta na cidade.

Cuidados

Outra hipótese levantada por Oliveira é o possível relaxamento da população em relação à prevenção.

— Há chances destas pessoas que tomaram a primeira dose pensarem que estão totalmente protegidas e voltarem a ter uma vida comum. Estamos vendo na região casos de aglomerações e bares lotados. Isso favorece o cenário de proliferação do vírus.

Unaí Tupinambás, infectologista e professor da UFMG, destaca que os pesquisadores ainda não têm resultados conclusivos sobre os impactos da mutação indiana em meio à população. Ele lembra que países como Israel, que tem quase 80% dos moradores imunizados, voltaram a determinar medidas de isolamento em meio a um crescimento de casos. O médico também chama atenção para os cuidados pessoais.

— Mais do que nunca, precisamos voltar a falar de proteção e distribuir máscaras de boa qualidade em áreas de movimento para mostrar à população que as máscaras funcionam.

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