Minas Gerais Moradores se mobilizam contra suposta prisão injusta de motoboy

Moradores se mobilizam contra suposta prisão injusta de motoboy

Maxsuel Vieira foi acusado de roubar duas pulseiras que custam R$ 40 mil em horário que, segundo a família, ele estava trabalhando

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento, do R7

Suspeito é formado em administração

Suspeito é formado em administração

Arquivo pessoal / Tamires Ribeiro

Moradores de Santana do Paraíso, a 237 km de Belo Horizonte, se mobilizam para tentar provar a inocência de um motoboy negro preso no último dia 15 de julho, suspeito de roubar um cordão e uma pulseira de ouro.

Nesta quarta-feira (28), a Justiça negou a Maxsuel Vieira Ribeiro, de 35 anos, o direito de responder o processo em liberdade. O homem, que é formado em administração de empresas, nunca havia sido detido. As joias não foram encontradas com ele.

O boletim de ocorrência indica que Ribeiro foi preso após ser reconhecido pela mulher assaltada, uma secretária de 40 anos. Na delegacia, os policiais acionaram a vítima de outro roubo similar ocorrido no último dia seis de julho, em um bairro vizinho já na cidade de Ipatinga, e ela também confirmou que foi atacada pelo motoboy.

O administrador negou os crimes e disse que não tinha conhecimento sobre os fatos relatados. Tamires Ribeiro, prima do motoboy, conta que a família tenta provar que ele estava trabalhando na hora em que o assalto teria ocorrido.

— Nós reunimos prints de conversas dele com clientes, imagens de vídeo de segurança. As pessoas que o conhecem estão se movimentando para ajudar.

Dois dias após a prisão, clientes, amigos e moradores do bairro onde Ribeiro mora, que é o mesmo onde ocorreu o assalto, fizeram um protesto pedindo sua soltura.

— Todo mundo da região confia nele. Quem iria fazer um assalto no bairro onde mora sendo conhecido por todos?

Prisão e questionamentos

Ribeiro fez depósito para cliente em horário próximo

Ribeiro fez depósito para cliente em horário próximo

Arquivo pessoal / Tamires Ribeiro

O assalto aconteceu por volta das 13 horas, conforme indica o boletim de ocorrência da PM (Polícia Militar). A secretária contou aos agentes que foi abordada por um motociclista enquanto andava por uma rua do bairro Parque Caravela.

A mulher relatou que foi ameaçada pelo suspeito, que teria simulado estar armado. Em seguida, o homem levou as duas pulseiras que, segundo a vítima, custam R$ 40 mil, e fugiu do local.

No fim da tarde, Maxsuel Vieira Ribeiro, de 35 anos, foi preso enquanto levava um cliente para uma aula de futebol. A polícia chegou até ele após identificar, em um circuito de segurança, que a sua moto passou em um local próximo à área do crime, praticamente no mesmo horário do assalto. Ele usava roupas nas mesmas cores indicadas pela vítima.

Quando foi abordado, Ribeiro carregava R$ 598 que, segundo ele, parte era o que havia recebido pelas corridas do dia e a outra parte seria de um cliente.

Segundo Tamires, o primeiro ponto questionado pela família é em relação à identificação.

— No boletim de ocorrência, a vítima relatou que o suspeito tinha 1,80 de altura, mas ele [Ribeiro] mede aproximadamente 1,60.

A prima do acusado também observou que a câmera que flagrou a moto fica próxima à casa dele e não mostra o momento do roubo.

— Ele pode ter passado por lá porque estava trabalhando durante todo o dia. É a rota dele.

A diarista Magna Márcia, de 56 anos, relatou ao R7 que contratou Ribeiro na data para depositar R$ 1.324,00 em uma agência bancária para ela. Magna entregou aos advogados do motoboy o comprovante da transação que foi feita às 13h22. Conforme apurado pela reportagem, o banco fica a aproximadamente 6 minutos do local do crime.

Na mesma tarde, a diarista que é cliente frequente, também chamou Ribeiro para buscá-la no trabalho.

— Eu confio totalmente nele. Como um rapaz que vive fazendo depósitos meus e de outras pessoas iria roubar um cordão? Eu sempre entrego a ele R$ 1.500, R$ 2.000 para pagar as minhas contas.

Além do comprovante, a advogada Juliana Bornaki, que atua no caso, enviou à Justiça o vídeo do circuito de segurança da loja de um cliente onde Ribeiro fez uma entrega em horário próximo ao que teria ocorrido o assalto. Juliana também vai usar no processo prints de conversas em que Ribeiro negociava as corridas.

— O cordão e a pulseira não foram encontrados. Eu pedi acesso à nota fiscal deles, que ainda não foi apresentada. Ninguém tem uma joia de R$ 30 mil ou R$ 40 mil sem comprovantes de compra.

Resposta

Procurado, o TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) destacou que "mesmo diante da ausência de antecedentes criminais, dependendo dos elementos do caso e do seu conhecimento da lei, o magistrado pode determinar a manutenção da prisão", como foi feito.

"Por outro lado, a negativa da liberdade neste momento não exclui a possibilidade de a pessoa obter a soltura, seja por meio de habeas corpus no TJMG, seja por decisão do próprio juiz, a partir de novos fatos apresentados pela defesa e mesmo pelo Ministério Público", completou o órgão em nota.

Já a Polícia Civil destacou que "estão sendo realizadas diligências para a verificação dos fatos". "Tão logo o inquérito seja concluído, os esclarecimentos serão prestados à sociedade", pontuou o órgão em nota.

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