Morre Antério Mânica, ex-prefeito condenado como mandante da Chacina de Unaí
Político estava internado no Hospital Sírio Libanês, em Brasília, após um traumatismo craniano; causa da morte não foi confirmada
Minas Gerais|Fernanda Rodrigues, da RECORD MINAS

Morreu, nesta quinta-feira (15), Antério Mânica, o ex-prefeito de Unaí condenado por ser um dos mandantes de uma chacina na cidade em 2004. O político estava internado no Hospital Sírio Libanês, em Brasília. A causa da morte ainda não foi confirmada.
Em abril deste ano, Mânica teve um traumatismo craniano e precisou passar por uma cirurgia de emergência. Ele chegou a ficar em coma induzido e o estado de saúde era considerado grave.
O ex-prefeito de Unaí chegou a ser condenado a 100 anos de prisão, em regime fechado, pelo homicídio de três auditores fiscais e um motorista do Ministério Público do Trabalho. Em 2015, o caso teve uma reviravolta e Norberto Mânica - irmão de Antério -, confessou o crime e isentou o irmão de qualquer tipo de participação nos assassinatos.
Em 2018, o júri anulou o julgamento que havia condenado Antério e ele seguiu em liberdade. Em 2022, o político enfrentou mais uma vez a justiça e foi condenado a 64 anos de prisão pelos homicídios. O caso chegou ao STF (Supremo Tribunal Federal) em 2023. A Suprema Corte cassou a decisão que mantinha Antério e os demais acusados em liberdade. Antério se entregou à polícia, teve a pena aumentada para 89 anos e passou os últimos anos de vida na penitenciária de Unaí.
Chacina de Unaí
Em 2004, três auditores fiscais e um motorista do Ministério Público do Trabalho foram executados na cidade de Unaí, a 600 km de Belo Horizonte. O alvo dos assassinos era Nelson José da Silva, responsável pelas fiscalizações da região. As outras três vítimas eram os fiscais Erastóstenes de Almeida Gonçalves e João Batista Soares Lage, e o motorista Ailton Pereira de Oliveira.
O trabalho dos fiscais era checar denúncias de pessoas em situação análoga à escravidão nas fazendas do município. Os três auditores fiscais morreram na hora, mas o motorista conseguiu dirigir e pedir socorro. Ailton foi levado para o hospital, mas morreu antes de dar entrada na unidade.
O Ministério Público Federal apontou nove envolvidos no crime; Erinaldo e Rogério, os pistoleiros; Willian, motorista dos bandidos; Humberto, responsável por apagar os rastros da quadrilha. Todos eles foram contratados por Chico Pinheiro, fazendeiro conhecido por agenciar matadores de aluguel; a pedido de Zezinho e Hugo, empresários do setor de cereais, que intermediaram o crime. Os assassinatos foram a mando de Norberto e Antério Mânica, “os reis do feijão”.
Norberto e Antério Mânica eram irmãos que mantinham grandes lavouras de feijão na cidade.
Ataque a auditores fiscais em Unaí (MG) completou 20 anos em 2024:
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp















