Motorista será indiciado por matar a ex e esconder corpo em geladeira

Delegada concluiu que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento; casal se conheceu há quatro meses em um grupo de conversa no WhatsApp

Polícia diz que tem provas sobre autoria do crime

Polícia diz que tem provas sobre autoria do crime

Vinícius Araújo / Record TV Minas

A Polícia Civil informou, nesta segunda-feira (20), que vai indiciar por feminicídio duplamente qualificado e por ocultação de cadáver um motorista de aplicativo de 26 anos que teria matado a ex-namorada e escondido o corpo na geladeira da casa da vítima, no bairro Planalto, na região Norte de Belo Horizonte.

A delegada Ingrid Estevam explica que o homem negou o crime, mas registros de câmeras de segurança e o relato de testemunhas fizeram os investigadores concluir que o jovem foi o responsável pela morte de Elisângela Vesperman de Sousa, de 30 anos.

— O que mais me chama atenção neste caso é que todos os autores de feminicídio confessam os crimes. Nunca aconteceu o contrário. Esta foi a primeira vez que alguém negou.

As investigações apontam que Elisângela foi morta no dia 8 de julho. Na data, o suspeito ficou durante todo o dia em frente à lanchonete onde a vítima trabalhava. Os dois saíram para almoçar juntos e o homem continuou no local até o fim do expediente da companheira.

Segundo os peritos, o casal chegou na casa de Elisângela por volta das 19h40. Duas horas depois, o suspeito foi flagrado por câmeras de segurança deixando o local com uma mala. A jovem não foi mais vista depois disto.

A delegada responsável pelo caso detalha que as provas colhidas indicam que o homem asfixiou a companheira após ela manifestar interesse em acabar com o relacionamento. O suspeito foi preso neste sábado (18) na casa de uma tia na cidade de Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte.

O casal estava junto há quatro meses. Eles se conheceram em um grupo de conversas no WhatsApp. Segundo a Polícia Civil, o homem era casado e terminou a antiga relação para ficar com a mulher com quem estava trocando mensagens pelo aplicativo.

No dia 24 de junho, Elisâgela registrou um boletim de ocorrência denunciando que teria sido dopada pelo novo namorado e que ele tentava pegar o chip do celular dela. Na época, a mulher ainda relatou que o companheiro ameaçou a tirar a própria vida caso ela terminasse o namoro.

Sumiço

Corpo de Elisângela foi achado em geladeira

Corpo de Elisângela foi achado em geladeira

Reprodução / Record TV Minas

Os funcionários da lanchonete onde a vítima trabalhava deram falta dela no dia 10, após ela não chegar para o plantão. A gerente da loja relatou à polícia que enviou uma mensagem para Elisângela por um aplicativo de mensagens e que a funcionária alegou que teria ido para outra cidade cuidar da avó doente.

A delegada Ingrid Estevam destaca, no entanto, que as mensagens teriam sido respondidas pelo suspeito do crime, que tentou se passar pela ex-companheira.

— O suspeito pegou fotos na internet como se fosse do interior e postou para provar a viagem.

Neste período, o ex-marido de Elisâgela, que mora na Grande BH, também percebeu sumiço da mulher após não conseguir contato com ela e resolveu ir até o apartamento onde ela morava, no dia 15 de julho. O homem encontrou a casa fechada e chamou um chaveiro para arrombar a porta, quando entrou no imóvel e achou o corpo da vítima na geladeira.

Prisão

O suspeito foi levado para o Ceresp (Centro de Remanejamento do Sistema Prisional) Gameleira, na região Oeste de Belo Horizonte. A Polícia Civil informou que vai pedir a conversão da prisão temporária para prisão preventiva.

A delegada Ingrid Estevam explica, ainda, que vai fornecer os detalhes da investigação para a defesa do preso para que ele possa prestar novo depoimento, caso queira apresentar novas informações sobre o ocorrido.