Minas Gerais Operação da PF investiga advogado do agressor de Bolsonaro

Operação da PF investiga advogado do agressor de Bolsonaro

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos no escritório e na empresa do defensor na região metropolitana de Belo Horizonte

Adélio é autor confesso do ataque a Bolsonaro

Adélio é autor confesso do ataque a Bolsonaro

Divulgação / Polícia Militar

A Polícia Federal em Minas Gerais cumpriu, na manhã desta sexta-feira (21), mandados de busca e apreensão no escritório e em uma empresa de Zanone Manuel de Oliveira Júnior, advogado responsável pela defesa de Adélio Bispo, agressor confesso do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

O objetivo da operação é investigar quem estaria financiando a defesa de Adélio Bispo, que foi denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) por atentado pessoal por inconformismo político.

Mandados foram cumpridos em dois endereços

Mandados foram cumpridos em dois endereços

Gabriel Rodrigues / RecordTV Minas - 21/12/2018

Ao depor, agressor se diz 'ameaçado' por discurso de Bolsonaro

Em entrevista à RecordTV Minas, o advogado disse que manterá o sigilo e não quis informar se o contratante é uma pessoa, uma instituição ou uma empresa "vou manter o sigilo. Se a Polícia Federal descobrir, vou acabar defendendo os dois. Tanto o Adélio quanto quem me contratou."

Repúdio

Durante a tarde, a OAB-MG (Ordem dos Advogados do Brasil) emitiu uma nota de repúdio à ação policial que, segundo o órgão, é inválida por não ter avisado a entidade sobre a operação com antecedência, conforme prevê a lei.

O documento afirma, ainda, que a Ordem tenta acesso à decisão judicial que estabele os mandados para "a fim de deliberar sobre as medidas legais cabíveis a serem tomadas em favor do advogado".

Agressão

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) foi atingido com uma faca enquanto participava de uma caminhada de campanha, no dia seis de setembro, em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira.

O pedreiro Adélio Bispo, de 40 anos, foi preso como suspeito e confessou o crime logo depois. À época, o homem alegou que agiu motivado por "questões pessoais". Bispo foi transferido para uma penitenciária de segurança máxima em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul.

O primeiro inquérito da PF sobre o caso aponta que o agressor agiu sozinho e por "motivações políticas". Para tentar abrandar a pena do acusado, a defesa de Bispo solicitou à Justiça que o preso passe por uma avaliação de insanidade mental. O caso ainda é analisado.

Com a facada, Bolsonaro teve uma perfuração no intestino grosso, três no intestino delgado e uma na veia mesentérica superior, que leva sangue para parte do intestino. Ele precisou passar por cirurgias e ficou 24 dias internado.

Confira a íntegra da carta da OAB-MG:

"A ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL foi surpreendida na manhã desta sexta-feira, já no período de recesso do Poder Judiciário, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão em face do advogado inscrito na Seccional de Minas Gerais, Dr. Zanone Manuel de Oliveira Júnior. A entidade não foi previamente comunicada para acompanhar a diligência que, em razão disso, é absolutamente nula, por ofensa ao disposto no art. 7º, inciso II, parágrafo 6º, da Lei Federal nº 8.906/94. A entidade foi acionada após as diligências estarem em curso. Imediatamente representantes da Comissão de Defesa, Assistência e Prerrogativas da OAB-MG dirigiram-se ao local para prestar assistência ao advogado.

A se confirmar as informações divulgadas pela imprensa como justificativas do cumprimento da ordem judicial estaremos diante de um atentado à lei e ao estado democrático de direito. Não se pode pretender combater o crime cometendo outro crime. O advogado que é indispensável à administração da justiça tem a inviolabilidade de seu escritório assegurada por lei sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.

A OAB está buscando acesso à decisão judicial, a fim de deliberar sobre as medidas legais cabíveis a serem adotadas em favor do advogado. Desde logo a OAB manifesta seu veemente repúdio a este ataque à advocacia e à exposição negativa da imagem do advogado."