Operação Sala Limpa desarticula rede de monitoramento do crime em aglomerado de BH
Ação cumpre 23 mandados, prende dois suspeitos e apreende câmeras usadas para vigiar a polícia
Minas Gerais|Cler Santos, da Record Minas

A Operação Sala Limpa cumpriu, na manhã desta quinta-feira (5), 23 mandados de busca e apreensão no aglomerado Cabana do Pai Tomás, na região Oeste de Belo Horizonte, e também em Contagem, com o objetivo de desarticular um esquema de monitoramento utilizado por criminosos para acompanhar a movimentação policial. Duas pessoas foram presas em flagrante por tráfico de drogas, e diversos materiais foram apreendidos.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo investigado havia instalado câmeras em pontos estratégicos das comunidades, cujas imagens eram transmitidas para uma central de vigilância montada dentro da casa de um dos suspeitos. O sistema permitia avisar, em tempo real, sobre a presença das forças de segurança, facilitando a fuga de envolvidos em atividades criminosas.
Segundo o delegado Evandro Radaeli, responsável pela investigação, a ação teve como foco alvos ligados diretamente à organização criminosa que atua na região. “Foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão, resultando em duas prisões em flagrante por tráfico de drogas, além da apreensão de diversos aparelhos celulares, rádios comunicadores e câmeras que serviam para monitorar a atividade policial no bairro”, afirmou. Ele destacou ainda que os investigados “são pessoas que vivem para a prática criminosa, que comandam atividades ligadas principalmente ao tráfico de drogas e também estão envolvidas com homicídios”.
A operação contou com mais de 100 policiais civis, militares e penais, além do apoio de cães farejadores. Para Radaeli, a mobilização conjunta demonstra a presença do poder público nas áreas dominadas pelo crime.“ A Polícia Civil, juntamente com as demais forças de segurança, cumpriu esses mandados como forma de mostrar que aquela não é uma área dominada pela criminalidade, que o Estado está presente e continuará presente onde houver homicídio e organização criminosa”, disse.
As investigações também apontaram ligações com facções de outros estados, como Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. Conforme explicou o chefe da Divisão Especializada Operacional do Departamento de Operações Especiais, delegado Marcos Vieira, os criminosos utilizavam tecnologia para evitar flagrantes.“ Foi apreendido um sistema DVR com várias câmeras instaladas em pontos estratégicos da comunidade. Por meio de um monitor, eles conseguiam visualizar a movimentação das forças de segurança e se esconder das ordens cautelares da polícia”, detalhou.
Além disso, celulares apreendidos dentro e fora do sistema prisional indicam que lideranças presas ou foragidas continuavam emitindo ordens para integrantes em liberdade.“ Esses aparelhos eram utilizados para transmitir ordens para criminosos fora do sistema prisional, mantendo o funcionamento da organização criminosa”, acrescentou Vieira.
Todo o material recolhido será analisado pela Polícia Civil, que segue investigando a atuação do grupo e possíveis conexões com crimes violentos, especialmente homicídios. As forças de segurança afirmam que novas ações devem ser realizadas para impedir o avanço do crime organizado no estado.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp














