Paciente denuncia médica por injúria racial em consulta na Grande BH
Denunciante afirmou que profissional disse que ele merecia tomar chibatadas; médica nega acusações e deu sua versão à PM
Minas Gerais|Júlia Ennes* e Túlio Lopes, da RecordTV Minas

Uma mulher denuncia que o pai, um idoso de 62 anos, foi vítima de injúria racial, nesta segunda-feira (20), na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Joanico Cirilo De Abreu, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, a discussão começou porque o paciente não estava tomando os remédios nos horários corretos. A médica teria, então, insultado o homem com falas racistas.
A filha da vítima, que estava com o pai durante a consulta, relatou aos policiais que durante a explicação sobre o caso clínico do idoso, a médica ficou exaltada e disse que ele não estava tomando os remédios de pressão corretamente. Segundo o pai e a filha, a profissional teria esfregado a mão sobre a própria pele do braço e gritado: "A pele negra é resistente, não é igual a da pele branca, não! O coração negro pode explodir a qualquer momento com a pressão alta!".
O paciente teria explicado que esquece de tomar os remédio por descuido, mesmo a esposa separando os comprimidos para ele. Neste momento, a médica teria dito que o paciente "tem uma escrava" e que ele "merece chibatadas". A filha do idoso interferiu acusando a médica de racismo e disse que iria procurar a polícia para as devidas providências.
Aos militares, a médica afirmou ter agido de forma "científica e técnica" ao explicar "que em virtude dele pertencer à raça negra, o controle da pressão arterial exigiria mais zelo e cuidado com o uso dos medicamentos". Ela acusa ainda a filha do paciente de ter entrado no consultório sem autorização, gravado vídeos e ameaçado agredi-la.
A médica alega ter dito "a vida pode dar bordoadas na gente" e "você pode não ter mais uma chance, em função da sua pressão arterial descontrolada", quando a filha afirmou que ela estaria mandando o pai tomar chibatadas.
Todos os envolvidos concordaram em comparecer ao Juizado Especial Criminal para esclarecimentos, porém, devido à pandemia da Covid-19 ainda não foi especificado uma data para a apresentação.
*Estagiária sob supervisão de Ana Gomes















