Minas Gerais Pacientes transplantados recebem órgãos infectados com tuberculose

Pacientes transplantados recebem órgãos infectados com tuberculose

Um homem e uma mulher constataram a doença após realizarem as operações no Hospital Felício Rocho, em dezembro de 2020

Dois pacientes receberam órgãos infectados pela tuberculose em dezembro do ano passado, em uma cirurgia para transplante em um hospital de Belo Horizonte. Eles apresentaram complicações após os procedimentos e exames constataram a doença. As cirurgias foram realizadas no Hospital Felício Rocho.

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Marcos Moreira Inácio, de 47 anos, recebeu um fígado infectado e, neste momento, está internado. Três dias após a cirurgia, o homem começou a passar mal, com dores na barriga, e foi levado para a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).

Os médicos realizaram uma primeira biópsia, que constatou apenas uma rejeição. Em uma segunda tentativa, foi confirmado que ele estava com tuberculose. Jaqueline Moreira Inácio, irmã de Marcos, diz que seria melhor se não ele não tivesse realizado o transplante.

— Eu tenho certeza que se ele estivesse sem o órgão estaria melhor do que está hoje. É uma tristeza muito grande para a nossa família.

A família de Marcos foi informada que o doador, um jovem de 19 anos, morreu de meningite. Outros órgãos dele foram doados para outras pessoas. Entre elas, Filomena Aparecida Martins, de 61 anos, que recebeu um rim após passar por tratamento por meio de hemodiálise durante 10 anos. Sua filha, Lúcia Aparecida, ressalta que ela estava bem até receber o órgão.

— Foi uma expectativa muito grande, ela chorou de emoção. Foram 10 anos de espera. Ela estava muito bem, até que realizou o transplante de rim. 

Duas semanas após o procedimento, o rim parou de funcionar e, após exames, foi constatada a tuberculose. A idosa precisou ser medicada para tratar a nova doença e acabou desenvolvendo uma hepatite medicamentosa. O organismo também rejeitou o novo rim. Lúcia lamenta a situação e diz que a família ficou surpresa com a notícia.

— Minha irmã falou em uma reunião com os diretores do hospital que se soubesse que a nossa mãe tinha algum risco de vida, jamais iríamos deixar que o transplante acontecesse. Eles disseram que não há culpados, porque não fazem teste, já que isso nunca aconteceu, pelo menos lá.

Outro lado

Transplantes pioraram estado de saúde dos pacientes

Transplantes pioraram estado de saúde dos pacientes

Reprodução/Record TV Minas

A tuberculose é uma doença causada por uma bactéria que, em geral, afeta os pulmões, mas pode atingir outros órgãos pela corrente sanguínea. 

Por meio de nota, o MG Transplantes, responsável por coordenar a política de transplantes de órgãos e tecidos em Minas Gerais, informou que quando é identificado um possível doador, um processo criterioso é iniciado para garantir a segurança e a viabilidade da operação.

Após a autorização dos familiares, as condições físicas e o histórico do doador são observados. Também são realizados testes e exames para detectar o maior número de infecções e outros problemas de saúde.

Ainda segundo o MG Transplantes, após todos os procedimentos obrigatórios, não foi identificada a presença do agente de tuberculose no corpo do doador. A doença não estava registrada no prontuário do paciente.

O Hospital Felício Rocho, informou que a pessoa que receberá o órgão assina um Termo de Consentimento, onde todo o processo é explicado. O hospital afirmou que o quadro de tuberculose pós-transplante de órgãos pode ocorrer por reativação de doença no receptor, mas ressaltou que os casos mostrados na reportagem, por ocorrerem simultaneamente, sugerem que a infecção realmente foi originada no doador.

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