Passageiros reclamam de controle frágil contra Covid-19 em Confins
Para infectologista, Anvisa deveria determinar medidas mais rigorosas, como triagem e aferição da temperatura e até mesmo orientar para isolamento
Minas Gerais|Luíza Lanza*, do R7

Moradores de Belo Horizonte que chegaram de voos internacionais vindos de países com alta incidência de casos do novo coronavírus denunciam a falta de controle sanitário no Aeroporto Internacional de Confins, na Grande BH.
Apesar das informações disponibilizadas no local, os passageiros não têm sido submetidos a nenhum tipo de procedimento. Especialistas alertam para a necessidade de fazer triagem para aumentar a identificação de casos suspeitos.
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A estudante Priscila Paulinelli, de 23 anos, chegou na capital mineira no domingo (15) e está em quarentena voluntária, seguindo a orientação dos órgãos de saúde. No aeroporto, nada lhe foi informado.
— Eu vim da França para Portugal e de Portugal para Belo Horizonte. Lá [no aeroporto] não teve nada , não perguntam nada, não dão informação, não pedem exame, nada. Aqui, a mesma coisa. Sem informação, sem pedir e sem perguntar. Não teve nada de diferente, parece que não estão tomando precaução.
Vindo dos Estados Unidos, o atleta Vinícius Moreira, de 23 anos, também estranhou a normalidade dos procedimentos de desembarques dos aeroportos. Ele chegou ao Brasil na segunda (16), pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, antes de seguir para Belo Horizonte.
— No avião, falaram sobre o coronavírus e foram passadas algumas recomendações sobre lavar as mãos e evitar aglomerações. Mas nem mencionaram sobre a quarentena recomendada pelo Ministério da Saúde. Na alfândega, os funcionários estão de máscara, mas ninguém fala nada com os passageiros. Os aeroportos estão vazios, mas vivendo uma vida normal.
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O Aeroporto Internacional de Confins emite alertas sonoros a cada 30 minutos com informações sobre os sintomas e a prevenção da doença. Os passageiros que apresentarem algum sinal de contaminação podem se apresentar, voluntariamente, ao posto de saúde do local. Confins, assim como todos os aeroportos do Brasil, segue o procedimento adotado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
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O trabalho indicado pelo órgão federal para os pontos de entrada do país tem três objetivos específicos:
- Garantir a adoção das medidas preventivas para a comunidade aeroportuária e portuária;
- Fazer com que os procedimentos de desinfecção e limpeza de aeronaves sejam realizados corretamente e;
- Encaminhar os casos de pessoas que estejam manifestando sintomas
No entanto, para o infectologista da UFMG, Unaí Tupinambás, que integra o Comitê de Enfrentamento à Codiv-19 em Belo Horizonte, é preciso adotar medidas mais rigorosas nos aeroportos.
— Quanto mais casos consigo detectar, melhor é para impedir o contágio. Seria muito importante fazer o controle sanitário, um processo de triagem com os passageiros. Medir a pressão, indicar se há febre, se houve contato direto com infectados pelo coronavírus. É preciso fazer esse monitoramento e, se for o caso, já encaminhar para o isolamento.
Controle rigoroso
A profissional de marketing Ana Luíza Meireles Rezende, de 26 anos, viajou com o noivo para o Peru no último sábado (14) mas, por causa da disseminação do vírus, teve que regresar em seguida. O país vizinho anunciou o fechamento suas fronteiras no último domingo (15).
Ana Luíza fez escala no Panamá e viu de perto protocolos de ação contra o vírus muito diferentes do que os do Rio de Janeiro, onde desembarcou nesta terça-feira (17). Além da oferta de álcool em gel, da distribuição de máscaras e de um formulário de controle, ela ainda passou por uma triagem no Peru.
— Logo que saímos do avião, havia uma equipe grande de enfermeiros. Me pararam, pediram para tirar a máscara, perguntaram se eu estava com algum sintoma, tosse ou febre, e conversaram comigo sobre a doença. Quando a gente voltou para o Brasil, ficamos muito impressionados. Não tinha nenhuma equipe, passamos tranquilamente, não recebemos nenhuma informação.
O casal se colocou em quarentena voluntária até a volta para Belo Horizonte, cidade onde moram, mesmo sem apresentar sintomas.
Protocolo
Em nota, a BH Airport, concessionária do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, informou que segue todas as orientações do governo em relação à contenção do vírus.
"Neste momento, reforçamos os procedimentos de limpeza e desinfecção nas áreas públicas e banheiros, sobretudo na área de desembarque internacional. Também houve reforço na orientação para notificação imediata de casos suspeitos de coronavírus no terminal e utilização de equipamentos de proteção individuais (EPIs), conforme os protocolos".
A Anvisa orienta, também, que o comandante da aeronave deve comunicar à autoridade sanitária do aeroporto se houver suspeita da doença no voo. Se o viajante estiver sem sintomas ou qualquer outro sinal da doença, ele deverá desembarcar normalmente e seguir atento às orientações do Ministério da Saúde para as pessoas que chegam do exterior.
*estagiária do R7 sob a supervisão de Lucas Pavanelli
















