Minas Gerais PM de Minas abre processo e cabo Dominghetti pode ser demitido

PM de Minas abre processo e cabo Dominghetti pode ser demitido

Ao atuar como representante de uma empresa na venda de vacinas, o militar teria violado Código de Ética dos Militares 

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli com Célio Ribeiro*, do R7

Luiz Paulo Dominghetti denunciou funcionário do Ministério da Saúde à CPI

Luiz Paulo Dominghetti denunciou funcionário do Ministério da Saúde à CPI

Pedro França/Agência Senado - 01.07.2021

A Polícia Militar de Minas Gerais abriu um processo contra o cabo Luiz Paulo Dominghetti, acusado de negociar a venda de vacinas contra a covid-19 para o Ministério da Saúde por meio da empresa norte-americana Davati Medical Supply.

O PAD (Processo Administrativo Disciplinar) pode resultar na demissão do militar. De acordo com o Portal da Transparência do Governo de Minas Gerais, o cabo recebeu salário de R$ 7,5 mil bruto em junho - último mês disponibilizado para consulta no site. 

O procedimento, que é conduzido pela Corregedoria da PM, pode enquadrar Dominghetti em artigos do Código de Ética e Disciplina dos Militares do Estado de Minas Gerais e o Estatuto dos Militares do Estado de Minas Gerais. De acordo com as normas, qualquer militar da ativa que participa de firma comercial ou empresa industrial de qualquer natureza, ou nelas exerça função ou emprego remunerado pode ser enquadrado em "transgressão disciplinar".

De acordo com a PM de Minas, o prazo para conclusão do processo é de 40 dias mas o prazo pode ser dilatado devido a recursos e pedidos de prorrogação, se for o caso. 

Holofotes

Luiz Paulo Dominghetti Pereira entrou nos holofotes da política brasileira ao comparecer à CPI da Covid, no Senado, em julho deste ano. Em depoimento aos senadores, ele disse que ouviu, do então funcionário do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, um pedido de propina para comercializar vacinas contra a covid-19. À mesma CPI, Dias negou o episódio, que teria ocorrido durante um encontro em um bar de Brasília. 

Segundo o cabo da PM, em 25 de fevereiro em um restaurante de um shopping de Brasília, Dias exigiu US$ 1 por dose de vacina comprada. O valor sugerido para cada uma das 400 milhões de doses da AstraZeneca oferecidas pela intermediária Davati seria de US$ 3,50.

Três integrantes da pasta, segundo ele, receberam oficialmente a proposta da Davati: Roberto Dias, Elcio Franco, ex-secretário da Saúde e hoje na Casa Civil, e Laurício Monteiro Cruz. diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis.

Diante do pedido de propina, a negociação foi interrompida, explicou Dominguetti.

- Eles me disseram para pensar direitinho e levar no dia seguinte ao ministério uma nova proposta. Eu fui e entreguei a mesma, de US$ 3,50. 

Militar

Dominghetti era segurança nas instalações prediais do Governo de Minas Gerais mas, de acordo com a PM, a chefia do Gabinete Militar pediu seu afastamento da função "por não corresponder ao perfil necessário de atuação no referido órgão". A polícia não detalhou qual perfil seria esse.

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