Minas Gerais Polícia indicia falsas pastoras por aplicar golpes em fiéis de BH

Polícia indicia falsas pastoras por aplicar golpes em fiéis de BH

Investigação aponta que a dupla teria movimentado mais de R$ 13 milhões e comprado imóveis de luxo com dinheiro arrecadado

  • Minas Gerais | Regiane Moreira, Enzo Menezes e Túlio Lopes, da Record TV Minas

A Polícia Civil indiciou duas falsas pastoras de Belo Horizonte e três familiares delas por estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. As suspeitas teriam 96 contas bancárias com uma movimentação financeira de quase R$ 13 milhões.

As investigações tiveram início no fim de 2019. As reuniões religiosas eram conduzidas por Marli Lima Paz Lopes e por sua filha, Andréa Lima Paz de Souza, que afirmavam ser pastoras de uma igreja protestante. As suspeitas pediam doações que seriam destinadas para projetos sociais e obras evangelísticas. Segundo os investigadores, elas ameaçavam com "maldições" as pessoas que não contribuíssem.

De acordo com a Polícia Civil, a dupla não tinha habilitação legal para exercer o ofício religioso. Uma das vítimas foi a professora Jane Borges, que teve um prejuízo de quase R$ 400 mil.

— Elas pediam colaboração e diziam que “o chão dá se a gente plantar”. Era quase um mantra. Eu também ficava por conta de transportar a pastora algumas vezes. Também organizei encontros em que eu servi camarões, comidas internacionais, tudo do bom e do melhor.

Doações

Dupla é suspeita de aplicar golpes em fiéis

Dupla é suspeita de aplicar golpes em fiéis

Reprodução / Record TV Minas

O inquérito aponta que prioridade era por doações em dinheiro vivo, para evitar qualquer tipo de rastreamento financeiro. Mesmo assim, a Polícia Civil identificou movimentações bancárias de cerca de R$ 13 milhões durante o período investigado.

Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em um apartamento, foram apreendidos R$ 120 mil em dinheiro.

Uma outra vítima, que prefere não se identificar, afirma que quase se separou do marido depois que decidiu deixar de frequentar as reuniões promovidas pela dupla.

— Não concordar com elas se tornou uma ameaça e elas odeiam ameaças. Elas convenceram meu marido de terminar o relacionamento e tirar meu filho de mim. Depois ele começou a achar aquilo tudo muito estranho e deixou de frequentar a igreja.

Vida de luxo

Algumas vítimas começaram a perceber que havia algo de errado quando notaram a repentina mudança no padrão de vida das investigadas, que saíram de seus apartamentos simples nas regiões Leste e Noroeste para imóveis de luxo em um prédio de alto padrão no bairro Buritis, na região Oeste.

Além dos imóveis, o dinheiro das doações teria financiado viagens internacionais, com direito a refeições em restaurantes finos e hospedagens em um castelo.

Além das supostas pastoras, foram indiciados os maridos delas, Helder Galhardo Teixeira de Souza e Raphael Eustáquio Ribeiro Veneroso, e a irmã de Andréa, Rachel Lima Paz. Segundo as vítimas, Raquel e Raphael trabalhavam em um banco de BH e se passavam por pastores na ausência da dupla.

O inquérito policial já foi remetido à Justiça e os cinco suspeitos devem responder por estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas ultrapassam 15 anos de prisão.

A Record TV Minas foi até a casa das supostas pastoras, mas não foi atendida. A produção também tentou contato com os outros indiciados, mas não teve retorno.

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