Minas Gerais Polícia investiga agente de viagem de luxo que pode ter embolsado mais de R$ 1 milhão de clientes

Polícia investiga agente de viagem de luxo que pode ter embolsado mais de R$ 1 milhão de clientes

Homem é suspeito de vender pacotes e não realizar as reservas; grupo reúne 50 possíveis vítimas apenas em BH

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento, do R7

Agente teria recebido por pacotes e não realizado as reservas

Agente teria recebido por pacotes e não realizado as reservas

Reprodução / Pixabay

A Polícia Civil de Minas Gerais investiga um agente de viagem de luxo por suposto crime de estelionato contra os clientes. Um advogado que representa ao menos 50 pessoas que se dizem vítimas diz que o prejuízo do grupo passa de R$ 1 milhão.

O caso foi revelado pela BBC Brasil e confirmado pelo R7. Um dos casos já em investigação é o da joalheira Ana Jalenna, de 42 anos. A moradora de Belo Horizonte preferiu não revelar valores, mas contou que havia comprado um pacote para ela e a família em um resort na França e a hospedagem em um hotel na Itália.

Segundo ela, o agente Rafael de Paula Pires Bessa, dono da Rafael Bessa Signature Travel, ainda não havia entregue os vouchers das estadias, alegando que as datas da viagem ainda estavam longe.

"Eu pensei que estava tudo certo, até que uma pessoa me ligou e disse que ouviu falar que o Rafael estava envolvido em golpes. Cobrei dele os vouchers e não recebi. Quinze dias depois, vi um post no Instagram de outra pessoa o denunciando. Liguei para o hotel e descobri que as reservas não tinha sido pagas", relatou a mulher que já teria repassado o valor dos pacotes ao agente.

A joalheira afirma que, alguns dias depois, percebeu que a agência de turismo debitou no cartão de crédito dela uma compra de R$ 4.500 em uma companhia aérea, sem ela ter solicitado a negociação para passagens. A mulher afirma que Bessa alegou que o nome da empresa de aviação aparecia na fatura por se tratar de um sistema de agendamentos dos agentes de turismo.

Ana conta que conheceu Rafael Bessa durante a pandemia de Covid-19, por indicação. Ela chegou a viajar para o Ceará em um pacote vendido por ele. "Tinha sido perfeito. Não tive nenhum problema na primeira viagem", relata.

Em abril deste ano, Ana Jalenna participou de uma recepção realizada por Rafael Bessa em um restaurante no bairro Funcionários, área nobre da região centro-sul de Belo Horizonte. O objetivo do agente de turismo era apresentar novos pacotes para a Europa. A joalheira conta que importantes empresários e influenciadores digitais de Belo Horizonte estavam no evento. "Muitos de nós já estávamos sendo vítimas durante o evento, mas não sabíamos ainda", relata.

Pelas redes sociais, a Rafael Bessa Signature Travel é apresentada como uma "agência de viagens de luxo sob medida".

O advogado Victor Penido Machado conta que apenas um de seus clientes, que prefere ter a identidade preservada, alega um prejuízo de R$ 200 mil. O primeiro caso que Machado recebeu de denúncia contra Bessa foi de outra moradora de Belo Horizonte que negociou com o agente hospedagens na Itália.

"No último dia da estadia em Roma, o gerente do hotel a chamou e disse que a reserva não havia sido paga e que os comprovantes de pagamento enviados para o hotel eram falsos", relatou. "Tentamos medidas extrajudiciais com o Rafael Bessa, mas não tivemos sucesso. Agora, estamos nos preparando para judicializar o caso", detalha o advogado.

Machado diz que após o caso ser revelado, ele foi acionado por outras 17 pessoas de diferentes países que alegam também terem sido vítimas do agente.

"O agente fazia os clientes assinarem um contrato que tinha cláusula de confidencialidade, que os impedia de comentar sobre as negociações. Em caso de descumprimento, a multa chegava a R$ 200 mil. Isso dificultou que as vítimas denunciassem o caso", completa o advogado.

A investigação já em andamento está a cargo do Depatri (Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio), em Belo Horizonte.

Segundo a Polícia Civil, também existem outros dois boletins de ocorrência contra a agência de Bessa registrados, mas os denunciantes não realizaram a representação necessária para abertura de inquérito.

"A PCMG salienta a importância de todas as vítimas procurarem uma unidade policial mais próxima para registrar os fatos e propor a devida representação criminal, conforme prevê a legislação, para dar prosseguimento à investigação", pontuou a corporação.

Procurado, Rafael Bessa negou as denúncias. Sobre o caso de Ana Jalenna, o empresário alegou que a cliente teria cancelado os pagamentos feito via cartão de crédito e, por isto, "supunha que a operadora do cartao havia feito a devolução".

Sobre a cláusula de confidencialidade, Bessa disse que trata-se de "prática comum em mercado premium e luxo". "Não há o que se discutir sobre essa cláusula", disse.

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