PRF apreende canetas emagrecedoras e cosméticos irregulares na BR-040, em BH
Medicamentos de uso controlado estavam sem comprovação legal; Anvisa alerta para riscos graves, como pancreatite e morte
Minas Gerais|Cler Santos, do R7

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu medicamentos de uso controlado e uma grande quantidade de cosméticos sem comprovação fiscal durante uma fiscalização realizada na manhã desta segunda-feira (9), por volta das 11h, no km 532 da BR-040, em Belo Horizonte.
Segundo a PRF, os agentes visualizaram um Audi S3 preto trafegando sem a placa dianteira e realizando ultrapassagem prolongada pelo acostamento. O veículo foi abordado e o condutor, um homem de 27 anos, identificado.
Durante a vistoria, os policiais encontraram nove caixas de medicamentos — sete de tirzepatida e duas de semaglutida, substâncias conhecidas popularmente como “canetas emagrecedoras”. A situação caracteriza, em tese, o crime de contrabando. Também foram localizados 163 cosméticos armazenados em duas malas grandes, sem comprovação de regular importação, configurando descaminho. As mercadorias tinham como destino a capital mineira.
O suspeito e os produtos apreendidos foram encaminhados à Polícia Federal, em Belo Horizonte, para as providências cabíveis. O veículo ficou à disposição da Receita Federal.
Alerta de risco à saúde
A apreensão ocorre em meio a novos alertas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o uso indevido das chamadas canetas emagrecedoras. A agência reforça que esses medicamentos devem ser utilizados apenas conforme indicação em bula, com prescrição e acompanhamento médico.
De acordo com a Anvisa, há risco de eventos adversos graves, como pancreatite aguda, que pode evoluir para necrose e até levar à morte. Entre 2020 e o ano passado, foram registradas 145 notificações suspeitas de efeitos adversos relacionados aos princípios ativos desses medicamentos e a diferentes tipos de pancreatite — seis delas com desfecho de óbito. Considerando dados de pesquisas clínicas, o número chega a 225 notificações.
Os registros vêm crescendo ano a ano, passando de 28 casos em 2024 para 45 no levantamento parcial do ano passado. Em cenário internacional, a agência reguladora do Reino Unido recebeu quase 1,3 mil notificações de pancreatite, incluindo 19 mortes, entre 2007 e outubro de 2025, envolvendo medicamentos semelhantes.
A Anvisa também já alertou que o uso desses fármacos associado à anestesia ou sedação profunda pode aumentar o risco de pneumonia e que a semaglutida pode causar, em alguns casos, perda de visão irreversível. Desde junho, uma resolução determina que esses medicamentos só podem ser vendidos com retenção de receita médica.
Em nota, a a Novo Nordisk afirmou que a segurança dos pacientes é uma prioridade e que a companhia leva muito a sério todos os relatos de eventos adversos associados ao uso de seus medicamentos. A empresa disse ainda que trabalha em estreita colaboração com autoridades e órgãos regulatórios em todo o mundo para monitorar continuamente o perfil de segurança dos produtos, inclusive em casos de uso indevido e sem prescrição médica. A fabricante também ressaltou que há uma advertência de classe para terapias baseadas em incretina sobre o risco de pancreatite e que, nos estudos clínicos de fase 3, a frequência de casos confirmados foi semelhante entre participantes que usaram semaglutida e os grupos comparadores.
Confira a nota na íntegra:
A segurança dos pacientes é uma prioridade para a Novo Nordisk, e a companhia leva muito a sério todos os relatos de eventos adversos associados ao uso de seus medicamentos. Trabalhamos em estreita colaboração com autoridades e órgãos regulatórios em todo o mundo para monitorar continuamente o perfil de segurança de nossos produtos, incluindo casos de uso indevido e sem prescrição médica.
Além disso, operamos canais ativos de denúncia e monitoramento global para coibir práticas irregulares e assegurar a proteção da saúde da população.
Vários fatores de risco estão implicados no desenvolvimento de pancreatite, incluindo diabetes e obesidade. Atualmente, existe uma advertência de classe para todas as terapias baseadas em incretina (ou seja, agonistas do receptor GLP-1, agonistas duais GIP/GLP-1 e inibidores de DPP-4) referente ao risco de pancreatite. A pancreatite aguda está incluída como uma reação adversa a medicamentos (RAM) nas bulas de todos os produtos GLP-1 RA comercializados, incluindo Ozempic®, Rybelsus® e Wegovy®, Victoza® e Saxenda®. Este tema está explicado em bula na seção “Quais males este medicamento pode me causar?“. Importante ressaltar que o perfil de segurança dos medicamentos permanece inalterado e segue em contínuo acompanhamento.
Nos programas clínicos de fase 3 (SUSTAIN, PIONEER, STEP), a frequência e a proporção de participantes que apresentaram pancreatite confirmada foram similares entre semaglutida e comparador. A maioria dos eventos foi classificada como pancreatite aguda leve. Os pacientes devem ser informados sobre os sintomas característicos e orientados a descontinuar o tratamento com semaglutida ou liraglutida caso haja suspeita de pancreatite, assim como sugere-se ter cautela em pacientes com histórico de pancreatite prévia.
Os medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição, com acompanhamento de profissional habilitado. Além disso, a compra dos medicamentos deve ser feita em estabelecimentos credenciados pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O órgão tem feito um trabalho essencial ao alertar sobre os riscos do uso indiscriminado e fora das indicações aprovadas em bula, sem acompanhamento médico ou com medicamentos irregulares e falsificados. Cabe reforçar ainda que os casos relatados pela ANVISA seguem em investigação, sem relação confirmada de causalidade com o uso de medicamentos GLP-1.
Há mais de 100 anos a Novo Nordisk desenvolve inovações para melhorar a qualidade de vida das pessoas com segurança e robustez científica a partir de estudos clínicos. A molécula semaglutida foi avaliada em programas robustos de desenvolvimento clínico com mais de 54.000 pacientes expostos no mundo todo e a exposição pós comercialização é superior a 33 milhões de pacientes ao ano.
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