Minas Gerais Projetado por Niemeyer, Edifício JK é tombado como patrimônio de BH

Projetado por Niemeyer, Edifício JK é tombado como patrimônio de BH

Título foi concedido no dia em que o arquiteto completaria 114 anos; condomínio foi idealizado na década de 1950

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento, do R7

Conjunto foi projetado na década de 1950

Conjunto foi projetado na década de 1950

Imagens cedidas/ Gui Barross

A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Diretoria de Patrimônio, confirmou, na tarde desta quarta-feira (15), o tombamento do Conjunto JK como patrimônio cultural da cidade.

Projetado por Oscar Niemeyer e localizado no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul da Capital mineira, abriga dois dos prédios mais tradicionais do município. O tombamento acontece no dia em que o consagrado arquiteto completaria 114 anos.

Françoise Jean de Oliveira Souza, diretora de Patrimônio da capital mineira, explica que, por enquanto, o título é provisório. Ele vai ser oficializado após a divulgação no DOM (Diário Oficial do Município). Caso os administradores do condomínio questionem a decisão, o recurso deverá ser analisado pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio de Belo Horizonte, o único responsável por conceder o tombamento.

"Com o tombamento, os proprietários passam a gozar de alguns benefícios que ajudarão na manutenção da conservação do imóvel, como a isenção de IPTU e acesso a leis de incentivo voltadas para a proteção do patrimônio. O tombamento também define diretrizes para as futuras intervenções no imóvel, garantindo assim, que a edificação não seja descaracterizada, preservando, assim, um objeto arquitetônico que é uma referência histórica e afetiva da cidade", detalha Françoise sobre os benefícios que valem para todos os apartamentos do complexo.

"Do ponto de vista habitacional, trata-se de uma experiência típica da modernidade que, sempre baseada no esprit nouveau, buscava revolucionar hábitos e costumes no habitar, integrando serviços coletivos como restaurantes, lavanderia e um hotel num edifício residencial", destaca trecho do relatório apresentado pelo Conselho do Patrimônio ao defender o tombamento.

O projeto de tombamento sugere que sejam adotadas medidas para preservação das características originais do condomínio e adoção de medidas de conservação da estrutura. Apesar das orientações, não serão impedidas reformas e intervenções no interior das unidades autônomas, apartamentos e lojas.

Histórico

O Conjunto Governador Kubitschek, conhecido popularmente como "Edifício JK", foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, em 1952, quando Juscelino Kubitschek comandava Minas Gerais. O arquiteto também assina o projeto do Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte, reconhecido como patrimônio mundial da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

O condomínio é formado por duas torres, sendo uma de 23 andares e a outra com 36, que são vistas de diferentes regiões de Belo Horizonte. O conjunto tem aproximadamente 1.100 apartamentos que abrigam quase 5.000 moradores.

A proposta inicial idealizada pelo próprio governador previa além das moradias, lojas, hotel, boate e repartições públicas, mas acabou sendo direcionada apenas à habitação e lojas comerciais.

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