Quais fatores podem causar o desabamento de um prédio? Especialista explica após caso em BH
Desabamento de lar de idosos, nesta quinta (05), deixou seis pessoas mortes e vários feridos na capital mineira
Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7 e Gabriel Rodrigues, da RECORD Minas

O desabamento de uma edificação, onde funcionava um lar de idosos, em Belo Horizonte, nesta quinta (05), reacendeu o debate sobre segurança estrutural e fiscalização em obras. Para entender quais fatores podem levar ao colapso de um imóvel, a engenheira civil e especialista em perícia Ludmila Lélis analisou, de forma técnica, as hipóteses que costumam ser investigadas nesse tipo de ocorrência.
A engenheira não participou da perícia no local do acidente, mas explicou quais são os principais pontos avaliados por especialistas após um desabamento. Segundo Ludmila, uma das primeiras linhas de investigação costuma ser a influência de obras ou intervenções estruturais em andamento no imóvel.
“Quando há uma obra acontecendo, é preciso verificar se essa intervenção pode ter afetado a estrutura original da edificação, causado trincas ou alterado o comportamento estrutural do prédio”, explica.
De acordo com a especialista, a Defesa Civil já descartou riscos geológicos no local, como deslizamentos ou problemas no solo. Por isso, a perícia tende a concentrar a análise nas características da própria construção e em possíveis mudanças feitas ao longo do tempo.
Como funciona a perícia após um desabamento
Depois que o trabalho de busca e resgate das vítimas é concluído pelo Corpo de Bombeiros, equipes de perícia iniciam a investigação técnica para identificar as causas do colapso.
Esse processo envolve a análise de diversos fatores, como:
- o projeto estrutural original da edificação;
- se a construção seguiu corretamente o dimensionamento previsto no projeto;
- a existência de reformas ou intervenções estruturais posteriores;
- e se havia inspeções periódicas na estrutura.
Segundo Ludmila, esses elementos ajudam os peritos a reconstruir o histórico da edificação e entender se houve falhas de projeto, execução ou manutenção.
Documentação não garante segurança estrutural
Outro ponto destacado pela engenheira é que a existência de documentos obrigatórios, como o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e o alvará de funcionamento, não garante, por si só, a segurança de um imóvel.
“Ter a documentação em dia é importante, mas isso é apenas o primeiro passo. A segurança estrutural depende de acompanhamento técnico constante e de avaliações sempre que houver mudanças na edificação”, afirma.
Segundo ela, muitas vezes os documentos estão regularizados, mas a estrutura pode sofrer alterações ao longo do tempo sem o devido acompanhamento profissional.
A importância de engenheiros e arquitetos em reformas
A especialista também reforça que qualquer obra ou reforma em um imóvel precisa obrigatoriamente do acompanhamento de um profissional habilitado, como engenheiro ou arquiteto.
Esse profissional é responsável por emitir a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), documento que registra oficialmente quem responde pela execução e pela segurança da intervenção.
“Não basta contratar apenas a mão de obra operacional. É necessário um profissional técnico que avalie se a estrutura suporta aquela mudança”, explica Ludmila.
Sem essa análise, intervenções aparentemente simples podem comprometer elementos estruturais importantes do prédio.
Engenharia como prevenção
Para a especialista, a engenharia deve ser entendida principalmente como um sistema de prevenção permanente.
“A engenharia é prevenção constante. Toda atividade que acontece dentro de uma edificação precisa considerar a segurança da estrutura”, afirma.
A análise sobre as causas do desabamento só deverá ser concluída após a investigação oficial da perícia.
Mortes
Até o momento, seis pessoas morreram após o lar de idosos desabar, no bairro Jardim Vitória, na região norte da capital mineira. Ao menos seis pessoas seguem desaparecidas e os militares seguem nas buscas.
Segundo apuração da Record Minas, cinco vítimas foram encontradas mortas sob os escombros. A quinta chegou a ser retirada com vida, mas morreu durante o trajeto para o hospital.
Falha estrutural
A Defesa Civil de Belo Horizonte informou que, até o momento, não houve necessidade de retirar moradores de imóveis vizinhos do prédio que desabou. Casas localizadas ao fundo da construção foram isoladas por precaução e seguem sendo monitoradas continuamente.
Segundo a subsecretaria municipal de Defesa Civil, não há indícios de que o desabamento esteja relacionado à chuva ou à movimentação de solo, já que o local não é considerado área de risco geológico. A principal hipótese inicial é de falha estrutural ou problema construtivo, possivelmente associado a ação humana. A Polícia Civil esteve no local e já iniciou a perícia. O laudo técnico deverá apontar a causa exata do desabamento.
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