Queda de 2 aviões na mesma rua em BH foi coincidência, diz especialista
No período de seis meses, duas aeronaves caíram praticamente no mesmo local, no bairro Caiçara, na região Noroeste da capital mineira
Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7

O avião monomotor que caiu no bairro Caiçara, na região Noroeste de Belo Horizonte, nesta segunda-feira (21), foi a segunda aeronave a se chocar contra o solo da rua Minerva, no período de seis meses.
Para o professor Kerley Alberto Pereira de Oliveira, especialista em voos, não há explicação técnica para repetição dos acidentes no mesmo local.
Oliveira esteve na via que foi palco das duas tragédias, que juntas somam cinco mortes, e afirmou que acredita ser uma coincidência a repetição das quedas em pontos que ficam cerca de 100 metros de distância um do outro.
— A rua Minerva não é uma rua tão larga para o piloto escolhê-la para um pouso. Foi uma obra do acaso.
A aeronave modelo SR40, da Cirrus Design, saiu do Aeroporto Carlos Prates, a cerca de 2 km do local do acidente, às 8h14 da manhã, com destino a Ilhéus, no interior da Bahia. Dezessete segundos depois, a aeronave caiu.
As causas do acidente ainda são investigadas pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). Técnicos do órgão estiveram no local da queda para colher destroços do monomotor, que não era equipado com o serviço de caixa-preta, que faz registro de voz e dados de aviões.
Apesar de a investigação ainda não ter sido concluída, o professor Kerley Oliveira, que coordena os cursos de aviação de uma faculdade particular do Estado, avalia que o piloto teve uma boa atuação. A avaliação se deve ao fato de o local do acidente ser uma área bastante populosa. Segundo o Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 23.849 pessoas vivem no bairro Caiçara e no Caiçara Adelaide, que fica no entorno.
A região é formada, principalmente, por casas e prédios residenciais. Além disso, a 270 metros do local onde a aeronave caiu, há uma subestação de distribuição de energia elétrica.
— Eu acredito que ele foi muito hábil. Ali não tinha muito tempo para fazer escolhas. Eram frações de segundos para tomar uma decisão.
Moradores
Após a tragédia, um grupo de moradores do bairro Caiçara se reuniu para pedir providências em relação à reincidência de acidentes envolvendo voos que partem ou tem como destino o Aeroporto Carlos Prates. Segundo dados do Sipaer, (Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), de 2010 a 2019 foram registrados sete acidentes.
Uma comissão formada por moradores da região foi formada. A designer Carolina Quelotti, de 48 anos, faz parte do grupo e explica que ficou acordado que a população vai decidir junta as reivindicações que serão feitas ao poder público.
— Nós fizemos uma enquete que mostra que a maior parte dos moradores quer o fechamento do aeroporto. Porém, nós vamos discutir as medidas no decorrer dos próximos dias.
Procurada, a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), responsável pela administração da pista de voo, informou que a unidade “opera dentro de requisitos de segurança da aviação civil brasileira e que está sempre à disposição das autoridades aeronáuticas para colaborar com as investigações”.
Segundo o Ministério da Infraestrutura, não há, nesse momento, discussão sobre fechamento ou transferência das operações. Para o Aeroporto Carlos Prates está prevista sua concessão à iniciativa privada em 2022.















