Reitor da UFMG é ouvido pela PF por desvio de R$ 4 milhões em projeto

Outras sete pessoas também prestaram depoimento sobre a denúncia 

Jaime Arturo foi ouvido nesta manhã
Jaime Arturo foi ouvido nesta manhã Reprodução / UFMG - Assessoria de Comunicação do MEC

O reitor e a vice-reitora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) foram levados pela Polícia Federal em Minas Gerais para prestar depoimento, na manhã desta quarta-feira (6), em Belo Horizonte. A condução coercitiva faz parte da operação “Esperança Equilibrista”, que investiga o desvio de recursos públicos destinados à construção de um memorial dedicado à anistia política do Brasil.

O Memorial da Anistia Política do Brasil, idealizado em 2008, é financiado pelo Ministério da Justiça e executado pela UFMG. Segundo a PF, ele “visa à preservação e à difusão da memória política dos períodos de repressão, contemplados pela atuação da Comissão da Anistia do Ministério da Justiça, a partir da reforma do “Coleginho”, no bairro Santo Antônio, onde seria instalada uma exposição de longa duração com obras e materiais históricos, além da construção de dois prédios anexos e uma praça de convivência”.

As investigações apontam que, até o momento, já teria sido gastos mais de R$ 19 milhões com obras e material para exposição. Porém, até o momento, “o único produto aparente é um dos prédios anexos, ainda inacabado”.

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A suspeita é que R$ 4 milhões tenham sido desviados por meio de fraudes, mas segundo a PF, o valor pode ser maior. Com o dinheiro, a Fundep (Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa), que foi contratada para realizar pesquisas e desenvolver conteúdo para exposição, teria feito pagamentos ilícitos para fornecedores que não fazem parte do projeto e de bolsas de estágio e extensão.

Além da condução de Jaime Arturo Ramírez  e Sandra Regina Goulart Almeida, a PF cumpriu outros seis mandados de condução coercitiva e 11 de busca e apreensão. Oitenta e quatro policiais federais, 15 auditores da CGU (Controladoria Geral da União) e dois do TCU (Tribunal de Contas União) participaram da ação.

Em nota a UFMG, que também responde pela Fundep, informou que não pode se manifestar sobre os fatos, pois a investigação segue em sigilo. Mesmo assim, a instituição ressalta que contribuirá para a "correta, rápida e efetiva apuração do caso".

O Bêbado e o Equilibrista

A operação foi batizada de “Esperança Equilibrista” em referência à um trecho da música “O Bêbado e o Equilibrista”, dos músicos João Bosco e Aldir Blanc, considerada o “hino dos anistiados”.

* Pablo Nascimento, estagiário do R7