Minas Gerais Ricardo Eletro sonegava impostos em MG há ao menos 10 anos, diz MP

Ricardo Eletro sonegava impostos em MG há ao menos 10 anos, diz MP

Crimes podem ter acontecido em outros Estados; grupo que prendeu fundador da rede investiga se empresário usou parentes como "laranjas"

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento, do R7

Fundador da rede foi preso em SP

Fundador da rede foi preso em SP

Folhapress / Luiz Carlos Murauskas - 29.03.2010

A força-tarefa que prendeu o fundador da rede de lojas Ricardo Eletro, nesta quinta-feira (8), aponta que há registros de sonegação de impostos por parte do grupo empresarial em Minas Gerais há, ao menos, 10 anos.

As investigações indicam que apenas o Governo de Minas Gerais deixou de arrecadar R$ 380 milhões em função das irregularidades. Segundo o promotor de Justiça Fábio Reis de Nazareth, os crimes também podem ter ocorrido em outros Estados.

— Após a operação, eu recebi ligações de promotores da Paraíba, Rio de Janeiro, Goiás e Bahia pedindo para compartilharmos as provas porque o grupo empresarial também é detentor de dívidas nestes Estados.

O esquema

Segundo os investigadores, a empresa deixou de repassar ao Governo de Minas valores arrecadados com o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) mesmo tendo recolhido a taxa dos clientes.

O promotor de Justiça Fábio Reis de Nazareth detalha que quando a empresa era questionada pelo poder público, os administradores negociavam a dívida, mas não realizavam os pagamentos.

— A rede mantinha o Estado em "banho-maria", falando que tinha interesse em negociar, mas não fazia propostas ou assinava o termo de parcelamento, pagava duas parcelas e facava inadimplete novamente.

O delegado Vitor Abdala, da Polícia Civil, explica que a suspeita é que o montante não repassado ao Estado tenha sido usado para comprar empresas e imóveis no nome de parentes do empresário Ricardo Nunes, fundador da rede de lojas, o que caracterizaria lavagem de dinheiro. A rede de lojas também estaria pagando contas particulares de Nunes.

— Inclusive recebemos informações de empresas nas Ilhas Britânicas em nome da mãe do investigado. É uma senhora de quase 80 anos de idade que vai ser intimada a depor.

Entre as empresas investigadas estão companhias que pertecem ao irmão de Ricardo Nunes e à filha dele, que também foi presa nesta manhã. A Justiça também decretou a prisão de um dos diretores executivos da Ricardo Eletro na gestão de Nunes, mas o gestor ainda não foi encontrado.

Outro lado

Procurada pelo R7, a Ricardo Eletro destacou que as fraudes apuradas teriam ocorrido na gestão de Nunes, que já não seria mais sócio da empresa. A marca afirmou que coopera com as investigações. A reportagem procurou a defesa do empresário Ricardo Nunes e aguarda retorno.

Veja a nota da empresa:

"A Ricardo Eletro informa que Ricardo Nunes e/ou familiares não fazem parte do seu quadro de acionistas e nem mesmo da administração da companhia desde 2019. A Ricardo Eletro pertence a um fundo de investimento em participação, que vem trabalhando para superar as crises financeiras que assolam a companhia desde 2017, sendo inclusive objeto de recuperação extrajudicial devidamente homologada perante a Justiça, em 2019.

Vale ainda esclarecer que a operação realizada hoje (08/07) pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), pela Receita Estadual e pela Polícia Civil, faz parte de processos anteriores a gestão atual da companhia e dizem respeito a supostos atos praticados por Ricardo Nunes e familiares, não tendo ligação com a companhia.

Em relação à dívida com o Estado de MG, a Ricardo Eletro reconhece parcialmente as dívidas e, antes da pandemia, estava em discussão avançada com o Estado para pagamento dos tributos passados, em consonância com as leis estaduais.

A Ricardo Eletro se coloca à disposição para colaborar integralmente com as investigações."

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