Minas Gerais Secretário de Kalil é suspeito de coagir agência a bancar pesquisa

Secretário de Kalil é suspeito de coagir agência a bancar pesquisa

Ex-chefe de gabinete aponta pressão de Adalclever Lopes contra fornecedora da prefeitura de BH e também sugere caixa dois

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento, do R7

Lopes nega irregularidades

Lopes nega irregularidades

Amira Hissa/PBH

Pouco mais de um mês após deixar o cargo de chefe de gabinete do prefeito Alexandre Kalil (PSD), o especialista em marketing político Alberto Lage acusa o secretário de Governo de Belo Horizonte, Adalclever Lopes, de pressionar uma fornecedora da prefeitura a realizar uma pesquisa de intenção de votos em âmbito estadual, sem cobrar.

Nesta sexta-feira (2), Lage enviou à procuradoria da Câmara um ofício denunciando que o secretario teria tentando coagir o dono da agência de comunicação. A reportagem teve acesso a um áudio que foi anexado à denúncia. Na gravação, destinada a Lage, Lopes diz:

— Tem que falar com o cara [representante da empresa] que se ele não fizer a pesquisa de Minas tem outra agência que vai fazer para gente. Você vai ver como ele vai dar um jeito rapidinho (sic).

"Ressalto que, ao saber da ação e ao suspeitar da possibilidade de ilicitude, comuniquei à secretaria da pasta de Assuntos Institucionais e Comunicação Social da tentativa e obtive a resposta que a secretaria não estava de acordo com tal constrangimento de fornecedor. Destaco também que não possuo elementos que me levem a crer que o fornecedor tenha aceitado tal constrangimento, conforme evidenciado pela animosidade do secretário contra o prestador de serviços", detalha Lage na denúncia.

Caixa dois

O ex-chefe de gabinete de Alexandre Kalil também levanta outras suspeitas contra Adalclever Lopes. Em entrevista ao R7, Lage relata que ouviu do secretário que a CPI que investiga irregularidades na BHTrans deveria acabar. O ex-membro da gestão diz que Lopes justificou com a frase: "eles vão ajudar muito a gente".

A conversa aconteceu durante uma reunião em que estavam presentes Joel Paschoalin e Raul Lycurgo, representantes do Setra-BH (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte).

— Não posso confirmar, mas com base no que ele disse, posso inferir que ele se referia aos representantes do Setra (Sindicato da Empresas de ônibus). Além deles, só estava no local o vereador Gabriel, que é o presidente da CPI.

O ex-chefe de gabinete ainda relata que após o episódio, alertou o prefeito, em uma ligação telefônica, sobre suas suspeitas de que Lopes estaria se aproveitando da possível candidatura de Kalil ao Governo do Estado para arrecadar dinheiro para uma eventual disputa de Adalclever Lopes para o cargo de deputado no próximo ano.

— Como o prefeito me respondeu que não procedia e, de uma forma muito grosseira, que eu estava com "ciúmes de viado" do Adalclever, a nossa relação ficou insustentável e preferi me afastar.

Alberto Lage conta que não havia sido avisado sobre a reunião e que o grupo entrou em sua sala, sem marcar horário.

Intimação

Gabriel Azevedo, presidente da CPI da BHTrans, disse que o grupo vai pedir uma acareação entre Lopes e Lage na próxima semana para esclarecer pontos das denúncias.

Lopes já está convocado a prestar depoimento à CPI no dia 13 de outubro para falar sobre possível tentativa de interferência nas investigações ligadas à BHTrans. Os membros da comissão levantaram suspeitas de que o secretário teria tentado influenciar sobre a escolha do relator do caso.

— Na função de presidente da CPI da BHtrans, minha maior meta é não permitir que uma cortina de fumaça do senhor Adalclever Lopes impeça a população de BH de ver os crimes da máfia dos ônibus que estamos revelando e encobrir as vantagens apontadas por Alberto Lage.

Resposta

Procurado, Adalclever Lopes diz que desconhece as declarações feitas pelo ex-chefe de gabinete.

— Para que não cometa nenhuma injustiça, após tomar conhecimento de seu conteúdo, me manifestarei através das medidas legais cabíveis.

Já a equipe do prefeito Alexandre Kalil informou que "o caso está sendo apurado e o conselho de ética irá analisar o episódio em uma reunião na próxima terça-feira (5)".

O Setra (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte) foi acionado e disse que não irá se posicionar sobre o assunto.

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