Logo R7.com
RecordPlus

Servidora suspeita de desviar mais de 200 armas continua presa após audiência de custódia em BH

Defesa entrou com pedido de liberdade provisória, que ainda será analisado pelo juiz

Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7

  • Google News
Suspeita é de que parte do arsenal tenha sido repassada a integrantes do Terceiro Comando Puro Reprodução/Record Minas

A servidora da Polícia Civil de Minas Gerais, Vanessa de Lima Figueiredo, investigada pelo desvio de pelo menos 200 armas de fogo de delegacias da corporação, passou por audiência de custódia na manhã desta terça-feira (11), em Belo Horizonte, e continuará presa. A sessão ocorreu, no bairro Lagoinha, região Noroeste da capital mineira.

Como a prisão não ocorreu em flagrante, a audiência serviu para que a Justiça avaliasse a legalidade do mandado e verificasse se houve violação de direitos no momento da captura, o que não foi identificado. A Justiça determinou que a custódia seja mantida até que o juiz responsável pelo processo, da 4ª Vara Criminal de Belo Horizonte, analise o pedido de liberdade provisória apresentado pela defesa. Ainda não há prazo para essa decisão.


Suspeita é de desvio em série

A investigada, uma analista de atividades da Polícia Civil, é apontada como responsável pelo sumiço de entre 220 e 230 armas, incluindo revólveres calibre .38, pistolas ponto 40 e 9 mm. O caso está sendo apurado pela Corregedoria da corporação.

O esquema foi descoberto depois que uma arma apreendida em operação recente foi identificada como parte de um lote recolhido pela polícia em 2019. A partir daí, rastreamentos internos revelaram inconsistências e lacunas no controle do material.


A suspeita é de que parte do arsenal tenha sido repassada a integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), facção ligada ao Comando Vermelho e com atuação na Cabana Pai Tomás, região Oeste de BH, área frequentada pela servidora.

Embora a apuração preliminar indique que ela agia sozinha, a Corregedoria não descarta aliciamento de outros servidores.


Criada por lei em 2019, a chamada Central de Custódia deveria guardar materiais apreendidos pela Polícia Civil, sempre lacrados e periciados. Hoje, porém, não há um prédio único: o armazenamento é feito em espaços de delegacias, o que pode ter facilitado falhas, manuseio indevido e desaparecimento de provas.

Aquisição de bens de luxo chamou atenção

Nos últimos meses, a servidora comprou dois veículos de luxo para uso próprio e outro presenteado à namorada. As aquisições não condizem com o salário do cargo, considerado um dos mais baixos do país.


Segundo o sindicato da categoria, a corporação enfrenta sucateamento há anos e tem o 4º pior salário do Brasil, atrás apenas de Paraíba, Rondônia e Alagoas. Para representantes sindicais, a falta de estrutura e de carreira contribui para vulnerabilidade a práticas criminosas.

Próximos passos

Com a audiência de custódia encerrada, o caso retorna para a 4ª Vara Criminal de BH, que analisará o pedido de liberdade apresentado pela defesa. Até lá, a investigada permanece detida.

A Polícia Civil não detalha a investigação por estar sob sigilo, mas confirmou que o caso é apurado pela Corregedoria.

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.