Minas Gerais Síndica do JK impõe taxa de R$ 4 mi para chapa de oposição e se reelege

Síndica do JK impõe taxa de R$ 4 mi para chapa de oposição e se reelege

Maria Lima das Graças vai completar 40 anos à frente de condomínio de Niemeyer e que tem 5 mil moradores; reunião foi marcada por polêmicas

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli, do R7

Síndica do JK vai completar 40 anos na função

Síndica do JK vai completar 40 anos na função

Imagens cedidas/ Gui Barross

A síndica do condomínio JK, edifício com mais de 5 mil moradores localizado no centro de Belo Horizonte, se reelegeu para mais um mandato de dois anos. Com isso, ela se aproxima de 40 anos à frente de um dos mais icônicos prédios da capital mineira, projeto pelo arquiteto Oscar Niemeyer, em 1952.

A assembleia que definiu a renovação do mandato de Maria Lima das Graças foi marcada por polêmicas. Dentre elas, a exigência de um depósito de R$ 4 milhões pela chapa opositora para que pudesse participar do pleito. 

A reunião foi presidida pelo advogado Ércio Quaresma, que ficou conhecido por defender o goleiro Bruno Fernandes no processo que terminou com sua condenação pela morte e ocultação do cadáver de Eliza Samudio.

Polícia indicia síndica de Edifício JK por instalação de grades

O valor foi calculado, segundo Quaresma, com base no valor da receita mensal do condomínio, estimada em R$ 600 mil.

— A fiança é uma garantia que se faz daquele que vai gerir o condomínio, principalmente para essas empresa particulares que querem fazer parte da gestão. O condomínio já passou por períodos de quase insolvência por conta da má gestão que era feita.

Oposição

Uma chapa de oposição à da atual síndica foi apresentada por um movimento de moradores intitulado "Nosso JK". A iniciativa é encabeçada pelo engenheiro Octávio Viggiano e a tradutora Julieta Boedo e propõe que um síndico profissional assuma a gestão do prédio.

Uma das principais críticas à atual síndica é a falta de transparência. Nem mesmo o salário pago pelo condomínio a ela é de conhecimento dos moradores, que estimam que o valor gire em torno de R$ 20 mil.

Segundo Otávio, a partir de agora, a iniciativa deve focar na investigação das contas do condomínio.

— A nossa preocupação é com a dívida trabalhista, tributária do prédio e vamos apurar isso tudo. A gente não consegue obter do condomínio seques a prestação de contas, que tem que ser aprovada todo ano.

Durante a assembleia, a síndica Maria Lima das Graças se exaltou. Em áudio obtido pela reportagem, ela cita que a fiança será exigida e que um síndico que não fosse morador do prédio deveria ser aprovado em assembleia.

— Essa de agora não aprova. Aqui não é Venezuela, Argentina, esses países comunistas não. Aqui é Brasil e tem muita gente competente aqui.

Julieta Boedo, que integra o movimento "Nosso JK" se sentiu atacada. Ela nasceu na Argentina, é naturalizada brasileira e vive em Belo Horizonte há cerca de 30 anos, dos quais cinco no edifício JK.

— Eu me senti atacada. Eu nasci na Argentina, sou naturalizada e pago todos os meus impostos aqui. Trabalho como qualquer outra pessoa. Foi muito agressivo.

Julieta ainda citou que ela foi impedida de entrar com um advogado na assembleia e que teve que subir no palco para ser ouvida.

— Foi uma situação meio constrangedora. Eu fui lá, fiquei bastante nervosa e pergunte porque não poderia entrar com meu advogado. Eles me explicaram que ela tem maioria, que possui não sei quantas procurações e votaram para que ele não pudesse entrar.

A reportagem tenta contato com a atual administração do condomínio, mas até o momento não obteve resposta.

Últimas