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Suspeito de matar estudante em Juatuba alegou legítima defesa após uso de drogas, diz delegado

Polícia Civil afirma que versão apresentada não condiz com as evidências já reunidas

Minas Gerais|Cler Santos, do R7

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Durante coletiva na Delegacia de Contagem, o delegado André Ribeiro detalhou que o investigado confessou o homicídio, mas alegou ter agido em legítima defesa após usar drogas com a vítima, justificativa considerada incompatível com os indícios já reunidos
Durante coletiva na Delegacia de Contagem, o delegado André Ribeiro detalhou que o investigado confessou o homicídio, mas alegou ter agido em legítima defesa após usar drogas com a vítima, justificativa considerada incompatível com os indícios já reunidos

A Polícia Civil de Minas Gerais afirmou, na manhã desta sexta-feira (13), que não acredita na versão apresentada por Ítalo Jefersson da Silva, de 43 anos, preso suspeito de matar a estudante Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23, em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Durante coletiva na Delegacia de Contagem, o delegado André Ribeiro detalhou que o investigado confessou o homicídio, mas alegou ter agido em legítima defesa após usar drogas com a vítima - justificativa considerada incompatível com os indícios já reunidos.


“Nós ouvimos a versão dele, mas isso não significa que seja real. Agora vamos trabalhar para confirmar ou negar. Os fatos já demonstram que essa versão não condiz com a realidade apresentada até o momento”, afirmou.

Segundo o delegado, o suspeito disse que ofereceu maconha e crack à jovem e que ela teria “enlouquecido” após o consumo, passando a agredi-lo. “Ele alega até uma legítima defesa em relação ao homicídio, mas isso ainda será confrontado com os laudos periciais”, explicou Ribeiro.


O delegado informou que exames preliminares apontaram marcas de lesão no rosto e na região genital da vítima, o que pode indicar violência sexual.

“O perito confirmou que havia marcas de lesão no rosto e na região genital. Agora precisamos do laudo pericial para termos certeza oficial”, disse.


Ítalo também apresentava ferimentos pelo corpo quando voltou para casa após o crime. Para a polícia, essas lesões podem ter ocorrido tanto por reação da vítima quanto pelas condições do terreno onde o corpo foi encontrado.

“Era um local muito impróprio para caminhar, com canaleta de concreto e muito mato. As lesões podem ser decorrentes disso ou de atos de defesa da vítima”, afirmou.


De acordo com a investigação, o suspeito chegou à casa dos pais já machucado e disse ter sido agredido por desafetos. Ele pediu dinheiro para deixar a cidade, alegando estar ameaçado.

Após a descoberta do corpo, familiares passaram a desconfiar do homem por causa do histórico de crimes sexuais.

“Ele chegou a confessar para parentes antes mesmo da prisão. A partir disso, iniciamos as investigações com maior certeza em relação à autoria”, relatou o delegado.

Ítalo foi preso em Carmo do Cajuru na sexta-feira (12).

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que vítima e suspeito não se conheciam e que o encontro foi fortuito, em um ponto onde ele costumava permanecer para usar drogas.

“Infelizmente houve um encontro fortuito, e ele aproveitou da oportunidade e da fragilidade da vítima para cometer esse crime tão abjeto”, afirmou Ribeiro. De acordo com o delegado, apesar de ser uma área urbana, o suspeito frequentava o local para usar drogas com frequência.

Histórico criminal

Ítalo tem passagens pelo sistema prisional desde 2003 e já foi condenado por crimes patrimoniais e sexuais, incluindo estupro, tendo passado cerca de 23 anos preso.

Segundo a polícia, ele havia obtido progressão de pena após reclassificação judicial de condenação por tráfico para uso de drogas, o que permitiu a saída do regime fechado.

“Os crimes anteriores foram julgados e ele pagou por eles, mas a progressão de regime é permitida pela lei. Infelizmente, ele voltou a praticar um crime gravíssimo”, disse o delegado.

Ribeiro foi categórico ao avaliar o novo caso: “O que ele praticou agora demonstrou que é um sujeito que não dá para ficar solto”.

Relembre o caso

Vanessa Lara de Oliveira Silva desapareceu na segunda-feira (9), após sair do trabalho em Juatuba. O corpo foi encontrado no dia seguinte, em uma área de mata do município.

A jovem era estudante de Psicologia e estagiária no Sine da cidade. O crime gerou grande comoção na região e mobilizou familiares e forças de segurança.

Ítalo Jefersson da Silva permanece preso, e o inquérito aguarda a conclusão dos laudos periciais que devem esclarecer oficialmente as circunstâncias do homicídio e a possível violência sexual.

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