Universitário que esfaqueou colega de sala é preso após 2 anos foragido
Crime ocorreu em Belo Horizonte, em março de 2011; Vitor Ribeiro, de 31 anos, continuava curso de medicina em Vassouras, no Rio de Janeiro
Minas Gerais|Daniel Rosinha, Pamella Granado e Fernanda Sanches, da Record TV, com Pablo Nascimento, do R7

Aulas durante o dia, estágios em um posto de saúde e alguns encontros com amigos dividiam a rotina do estudante de medicina Vitor Guilherme Carvalho Ribeiro, de 31 anos, em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, nos últimos 29 meses, o universitário era considerado foragido pela Justiça mineira por ter esfaqueado uma ex-colega de sala por quem nutria um amor platônico, em março 2011, em Belo Horizonte, quando era aluno da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
O estudante foi condenado em abril de 2016 a seis anos e 11 meses de prisão em regime semiaberto. O mandado de prisão foi expedido em março de 2017 e Ribeiro foi detido após dois anos e meio, na última segunda-feira (12). A prisão foi acompanhada por exclusividade pelo jornalismo da Record TV.
Nos últimos três anos, o homem levou uma vida discreta na cidade fluminense de 34 mil habitantes. O R7 e o Domingo Espetacular localizaram o apartamento simples que ele divide com dois amigos, próximo à faculdade particular onde estuda para ser médico, assim como o pai.
Com personalidade reservada, o Ribeiro mantinha pouco contato com os colegas de faculdade. Uma jovem que foi da mesma turma que ele em Vassouras e não quis ser identificada contou ao R7 que alunos da instituição ficaram surpresos com a prisão do universitário.
— Ele sempre foi muito reservado, mas jamais imaginei isso.
O crime

Era madrugada quando a então estudante de medicina Maria Luiza Costa Pinto, à época com 21 anos, voltava com o pai de uma festa de amigos da faculdade. Ao chegar no prédio onde a família morava, no bairro Salgado Filho, na região Oeste de Belo Horizonte, a universitária desceu do carro na garagem e foi atacada, com golpes de faca, por Vítor Ribeiro.
Ao perceber a cena, Ailton Antônio Pinto tentou salvar a filha, mas também foi atingido pelo estudante e ficou desmaiado no chão. Segundo relatos da família, o crime deixou marcas de sangue até no teto da garagem.
De acordo com as investigações, a motivação do ataque foi um amor platônico não correspondido que Ribeiro nutria por Maria Luiza. A jovem, que hoje já é médica, teve cortes profundos nas mãos, nos braços, na barriga e nas costas. Apesar dos ferimentos, não teve sequelas, mas carrega cicatrizes pelo corpo.
Pena
À época do crime, Ribeiro se entregou à polícia, mas respondeu o processo em liberdade. Em abril de 2016, o jovem foi condenado por tentativa de homicídio qualificado privilegiado contra Maria Luiza e lesão corporal grave contra Ailton Pinto. O Primeiro Tribunal do Juri de Belo Hoizonte autorizou que ele continuasse solto até que fossem esgotadas as possibilidades de recursos.
Após um pedido do MPMG (Ministério Público de Minas Gerais), o mandado de prisão foi expedido em março de 2017. Desde então, Ribeiro era considerado foragido, mesmo com o endereço atualizado para o apartamento do Rio de Janeiro, conforme indica documentos aos quais o R7 teve acesso.
Em julho de 2018, o juiz Geraldo David Camargo determinou que o condenado também pague R$ 140.860,00 às duas vítimas em indenizações por danos morais, materiais e estéticos. De acordo com a família, os valores ainda não foram pagos.
Demora
Para o advogado Fábio Piló, ex-presidente da Comissão de Assuntos Carcerários da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Minas Gerais, a demora na prisão de Ribeiro pode ser explicada pela alta demanda e falta de mão de obra do sistema policial. Segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), atualmente há 371.365 mandados de prisão em aberto no país.
— A polícia não tem aparelho suficiente para ir sair em busca de todos esses casos. Geralmente, as operações são montadas apenas nos que têm maior repercussão.
O advogado explica que com o mandado em aberto, Ribeiro poderia ter sido preso ao parar em uma blitz em qualquer cidade do país – o que não ocorreu. Ainda segundo o especialista, a lei permite que o investigado mude de cidade durante o processo, desde que a Justiça seja avisada.
A Polícia Civil de Minas Gerais alegou que o mandado poderia ter sido cumprido por qualquer órgão policial do Brasil, já que o réu encontrava-se condenado. O Domingo Espetacular questionou a corporação se foi feito algum pedido de apoio de prisão à polícia do Rio de Janeiro, mas ainda não teve retorno.
O preso foi levado para o uma penitenciária na capital do Rio de Janeiro e está à disposição da Justiça, que vai decidir se ele será transferido ou não para Minas Gerais.
O R7 tentou contato com o advogado Otávio Silva de Sousa, que representa Ribeiro, mas o defensor não foi localizado. A reportagemtambém procurou o pai de Vítor Ribeiro, mas não teve retorno até o momento. Procurada, a família de Maria Luiza e Ailton Pinto não quiseram se pronunciar.
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