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‘Parece guerra’: voluntária usa carro que ganhou por R$ 8 para ajudar vítimas da chuva em Minas

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar, já foram registrados mais de 270 deslizamentos na região

Minas Gerais|Maria Luiza Reis e Cler Santos, do R7, com Vivian Lima, da RECORD

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Voluntárias em Juiz de Fora ajudam vítimas das chuvas, com 48 mortes registradas na Zona da Mata mineira.
  • Daniele Helena Ramos usa carro ganho em rifa para transportar familiares de vítimas a hospitais e funerárias.
  • Marcelle Lage Pedrosa, moradora de Ubá, descreve a devastação causada pela chuva e a necessidade urgente de ajuda.
  • O governo federal anunciou o repasse de R$ 800 por pessoa desabrigada para minimizar os impactos das chuvas na região.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

VOLUNTÁRIAS CHUVAS JUIZ DE FORA Reprodução/RECORD Minas

Em meio às buscas por desaparecidos, histórias de solidariedade têm marcado os dias difíceis na Zona da Mata mineira, onde ao menos 48 pessoas haviam morrido, segundo dados da noite de quarta-feira (25).

Em Juiz de Fora, a 255 km de Belo Horizonte, voluntárias têm transformado indignação e tristeza em ação concreta para ajudar quem perdeu tudo.


Daniele Helena Ramos chegou ao local da tragédia às 4h da manhã desta terça-feira (24).

A casa dela não foi atingida, mas o sentimento de empatia a tirou da cama ainda de madrugada. “É o sentimento de dor das pessoas. Poder acolher um pouco, doar um pouco do nosso tempo”, conta.


Ela atua como voluntária e oferece o próprio carro para transportar familiares de vítimas em estado de choque até o hospital da região. Só em um dia, levou cerca de 12 pessoas para atendimento médico e depois retornou com elas ao ponto onde aguardavam notícias.

O veículo tem uma história inusitada: foi ganho em uma rifa, por apenas R$ 8. Endividada na época, Daniele tentou vendê-lo, mas não conseguiu.


“Eu nunca entendi o propósito desse carro”, relembra. Hoje, ela acredita ter encontrado a resposta.

Além do transporte para hospitais, Daniele já se colocou à disposição para levar familiares aos velórios e cemitérios. “É um pouquinho que a gente faz, mas ajuda muito. A gente faz sem esperar nada em troca.”


Enquanto as equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais seguem nas buscas, o carro que quase foi vendido se tornou veículo de apoio em um dos momentos mais dolorosos da cidade.

‘A cidade parece que passou por uma guerra’

Em Ubá, a empresária Marcelle Lage Pedrosa viveu a tragédia de outra forma. Moradora do bairro Santa Luzia, ela recebeu a primeira notícia por volta de 1h da manhã de terça, quando o sogro ligou dizendo que a garagem da casa dele já estava sendo invadida pela água.

“Eu não consegui dormir mais. Fui vendo nas redes sociais pessoas dizendo que a água estava subindo muito rápido”, contou. Pouco depois, recebeu vídeos mostrando que familiares haviam resgatado uma vizinha com corda e boia, porque ela estava ilhada e sem para onde subir. “Essa foi a primeira dimensão do que estava acontecendo.”

Marcelle tem acompanhado de perto a situação das famílias do Beco, no bairro Santa Luzia. Segundo ela, muitas perderam absolutamente tudo. “Você passa lá e só tem lama. Não tem nada dentro das casas. As pessoas estão só com a roupa do corpo e as doações.”

Ela relata que uma mãe com um bebê que já havia sofrido traumatismo craniano não tinha onde dar banho na criança. “As famílias estão sem rotina, sem casa, sem saber para onde vão.”

O que mais a marcou foi a cena de destruição. “Eu levei uma sacola grande de roupas para doação. Quando cheguei lá, só via lama, móveis como entulho no meio da rua, todo mundo sujo, com cara de assustado. Foi uma cena de guerra. Eu nunca tinha visto isso de perto.”

Ela também demonstra preocupação com a previsão de novas chuvas. “Se já era um lugar complicado quando chovia muito, imagina agora, com as pessoas tendo que recomeçar do zero.”

Para a empresária, parte dos impactos poderia ter sido reduzida com mais cuidado na limpeza urbana e manutenção de bueiros. Ela relata que comerciantes do centro reclamaram que entulhos foram deixados próximos aos bueiros após a limpeza inicial, o que pode agravar novos alagamentos.

Recém-chegada a Ubá, há cinco meses, Marcelle diz que não consegue ficar em casa sem ajudar. “Minha casa não foi atingida, graças a Deus. Mas eu não consigo ficar parada. A cidade está precisando que todo mundo se una.”

Ajuda Federal

O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, anunciou nesta terça-feira, 24, que o governo federal disponibilizará R$800 para cada pessoa desabrigada por causa das chuvas que afetam a região mineira da Zona da Mata. A verba será liberada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e entregue para as prefeituras de oito municípios atingidos que, então, repassarão aos moradores.

“O Ministério do Desenvolvimento Social liberará recursos, R$ 800 por pessoa desabrigada, nós temos centenas de pessoas desabrigadas, aí é para a prefeitura para comprar colchão, mantimento, roupa, enfim, para apoiar, e também para as famílias será antecipado o pagamento do Bolsa Família e do BPC. Todo apoio será dado, a questão mais urgente é o socorro às vítimas”, disse o presidente em exercício em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.

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