Argentina pede que jovens não deixem o país?
O apelo foi feito pelo Chefe de Gabinete de Ministros, Santiago Cafiero
MonitoR7|Do R7

"Governo da Argentina pede que jovens não deixem o país". Esta manchete está em diversas postagens em redes sociais e mensagens de aplicativos. As postagens trazem um link para a publicação de um site sobre o assunto, com esse mesmo título.
Como vários grupos políticos no Brasil se opõem ao atual governo argentino, o objetivo das postagens parece ter sido destacar o apelo contra a saída dos jovens do país, sem contextualizar em que situação ele foi feito. Se o governo está apelando aos jovens para não deixar o país, é porque a situação lá estaria muito ruim. Só uma das postagens recebeu mais de cinco mil visualizações.
A declaração foi dada pelo ministro chefe do Gabinete de Ministros da Argentina, Santiago Cafiero. Ele realmente fez esse apelo, durante evento de lançamento de um programa para incentivo à criação de empregos para jovens, batizado de "Te Sumo".
Neste programa, o governo federal assumirá o pagamento de até 70% do salário de jovens de 18 a 24 anos, durante 12 meses, em vagas criadas por empresas de pequeno e médio porte. O programa é aberto a todos os jovens nessa faixa etária, que tenham o equivalente ao nosso Ensino Médio, completo.
Depois da frase que virou manchete das postagens, o ministro argentino completou: "Não se vão, a Argentina está começando a virar a página, não só da pandemia, mas também da desilusão e desespero do último governo". No caso, ele se referia ao governo de Maurício Macri.
Se o otimismo do ministro só poderá ser confirmado no futuro. Os números atuais da pandemia e da economia na Argentina demonstram que a situação não está muito diferente da que enfrentamos no Brasil.
No primeiro trimestre de 2021, a Argentina registrou um crescimento de 2,5% do PIB em comparação com o mesmo período em 2020. No Brasil, esse crescimento foi de 1%, em relação ao primeiro trimestre do ano anterior. Os dados da Argentina foram recolhidos pelo Instituto Nacional de Estatística e Censo(Indec, na sigla em espanhol), enquanto no Brasil, os registros foram feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa(IBGE).
No primeiro trimestre de 2021, o Indec publicou uma projeção com os números socioeconômicos, inclusive o de desempregados no país. Cerca de 10,2% da população economicamente ativa está desempregada, isto representa 1,3 milhões de pessoas sem emprego.
De acordo com dados divulgados pelo IBGE, no trimestre de fevereiro a abril de 2021, o Brasil registrou um índice de 14,7% de desemprego entre a população ativa economicamente. A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) mostra que o país soma mais de 14 milhões de pessoas desempregadas. Entre as mulheres a taxa de desemprego é equivalente a 17,9%, já entre os homens é 12,2%.
Em relação a pandemia de Covid-19, a situação é semelhante também. Em junho deste ano, a Universidade John Hopkins(EUA) declarou que o Brasil estava em 2° lugar no ranking de mortes por covid a cada 100 mil habitantes, registrando 233 vítimas. Enquanto a Argentina vinha logo atrás, com 193 mortes.
Já em 21 de julho, o projeto Our World in Data, organização de pesquisa e coleta de dados a nível mundial, mostrou que o Brasil estava entre os 10 países com mais mortes por milhão de habitantes, com 2.364,45 vítimas. A Argentina não figurava o Top 10, mas registrava no mesmo dia 2.274,95 mortes. No total, o Brasil registra 571.662 mortes por covid. A Argentina, 109.652.
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