Luxo para o ditador: Maduro antecipou o Natal na Venezuela
Presidente de um país em que 67% da população vive em pobreza extrema, mostra rica decoração natalina do palácio presidencial
MonitoR7|Do R7

Em suas redes sociais, o atual presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, publicou um vídeo, gravado diretamente do Palácio Miraflores, onde mora com a primeira-dama, Cilia Flores, mostrando a decoração natalina instalada no local.
Uma postagem que não causaria nenhum espanto, se não fosse pelo dia da publicação, 4 de outubro. Ou seja, 83 dias antes da data consagrada para o Natal entre os cristãos.
Na gravação feita pelo presidente é mostrado o palácio decorado com luzes e árvores tipicamente natalinas. O vídeo revela que os ornamentos antecipam o clima natalino na moradia de Maduro, que caminha pelo lugar mostrando as decorações e falando, encantado, sobre o Natal venezuelano antecipado.
Como legenda da postagem, o presidente afirma que o Natal já chegou ao Palácio Miraflores e também ao país inteiro. "Na Venezuela vamos ter um feliz Natal, cheio de luzes e cores." afirma o político na publicação.
Veja o vídeo:
A publicação foi feita por Maduro e já recebeu mais de sete mil replicações. O tuíte do presidente venezuelano, no entanto, gerou reações em grupos de aplicativos de mensagem. A maior parte, críticas a Maduro. Uma das mensagens foi recebida pelo MonitoR7 e usada para essa verificação.
Não é novidade que o presidente venezuelano antecipe as festividades natalinas no país. Em 2020, Maduro anunciou o ínicio da temporada de celebrações do Natal também em outubro. Em 2013, o presidente antecipou o começo das comemorações para novembro.
Trata-se de uma notícia verdadeira. A estratégia foi anteriormente adotada para impulsionar a economia do país. Mas neste ano, o presidente nada falou sobre economia. Apenas anunciou a chegada antecipada do Natal na Venezuela.
O país sul-americano passa por uma grave crise política e econômica há alguns anos. As medidas de Maduro para permanecer no poder e massacrar qualquer tipo de oposição geraram sanções econômicas.
O país também enfrentou um período de queda no preço do petróleo, responsável por quase toda geração de riqueza no país. Em 2020, a pandemia de Covid-19 atingiu a economia mundial, mas afetou ainda mais gravemente a já debilitada economia venezuelana.
De acordo com informe publicado em junho passado pelo Instituto de Investigações Econômicas e Sociais, da Universidade Católica Andrés Bello, na Venezuela, desde 2014 o Produto Interno Bruto(PIB) da Venezuela caiu 76%. O PIB representa a riqueza de um país com base na soma de todos os bens e serviços produzidos em uma economia durante um certo período.
A super inflação e a falta de valores fixos de salário mínimo no país, acarretaram em uma queda de 90% no valor do piso salarial do trabalhador na Venezuela. Hoje, o país se encontra entre os países mais pobres da região latinoamericana e até mesmo do mundo.
O número de pessoas em situação de pobreza, isto é, que não conseguem cobrir gastos com as próprias necessidades, duplicou desde 2014. Entre 2019 e 2020, esse marcador registrava 94% da população venezuelana nessas condições. Já as pessoas classificadas em situação de extrema pobreza(que não tem renda suficiente para garantir a alimentação) representavam 67,7% da população venezuelana entre 2019 e 2020.
Veja o gráfico com a evolução da pobreza na Venezuela nos últimos anos:
A situação trabalhista no país sul-americano é dramática. Em 2015, apenas 9,7% dos trabalhadores tinham pouca qualificação e desempenhavam funções de subemprego. No ano passado, esse número subiu para 36% dos indivíduos que trabalham.
A porcentagem de empregados em serviços vulneráveis (empregos que não possuem garantias em termos de contrato, remuneração e direitos laborais) aumentou de 35% para 51%, em seis anos. Ou seja, superou metade dos trabalhadores venezuelanos.











