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Vacinados são maioria dos mortos por Covid na Argentina?

Médico usa relatório do governo argentino para criticar a campanha de imunização

MonitoR7|Do R7

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Vacinação em Buenos Aires, capital da Argentina
Vacinação em Buenos Aires, capital da Argentina

Um médico afirma em programa de televisão na Argentina que 90% das mortes por Covid-19 no país, no primeiro semestre de 2021, foram de pessoas já vacinadas contra a doença. É este, em resumo, o conteúdo de um vídeo compartilhado em mensagens de grupos de aplicativo.

Durante participação no programa “Intratables”, que discutia o fenômeno antivacinas ao redor do mundo, o médico Eduardo Yahbes, que se apresenta como especialista em Homeopatia, citou um dado que teria extraído de relatório do Ministério da Saúde argentino. Segundo o médico, dos 48 mil mortos no país pela Covid-19, entre janeiro e junho de 2021, 43 mil já estariam vacinados.


O profissional de saúde, no entanto, fez uma interpretação distorcida de um relatório do governo da Argentina, a partir de estudo sobre a eficácia das vacinas usadas no país no combate à Covid-19. E a conclusão a que ele chegou é falsa.

Participaram do estudo cerca de 740 mil pessoas acima de 60 anos. No período analisado, 342 mil destas pessoas testaram positivo para a Covid-19 e 43 mil morreram. No relatório não há a informação de que todas estas 43 mil mortes eram de pessoas vacinadas.


Segundo Analía Rearte, diretora de epidemiologia do Ministério da Saúde do país, o número de óbitos apresentado no relatório inclui vacinados e não vacinados, que foram analisados no estudo.

No estudo, foram criados três grupos. Em cada grupo havia pessoas vacinadas e não vacinadas. Entre as vacinadas, todas tinham recebido uma entre três das quatro marcas de vacinas usadas na campanha de vacinação na Argentina: Sputinik V, AstraZeneca e Sinopharm. O objetivo era avaliar a eficácia de cada uma delas.


No país também são utilizadas as vacinas Covishield e Moderna, que não foram avaliadas na pesquisa. Recentemente foi aprovado o uso emergencial da vacina Convidecia, da fabricante CanSino.

No relatório sobre o estudo foi informado também a eficácia dos imunizantes contra mortes após tomar as duas doses. No caso da Sputnik V, a eficácia foi de 93,3%; da AstraZeneca, de 88,8%; e da Sinopharm, 84%. O que contraria a conclusão do médico homeopata entrevistado no programa de TV.


Eduardo Yahbes já era conhecido na Argentina por ter uma postura antivacinas, mesmo antes da pandemia. Ao contrário do que ele procurou demonstrar, com o uso errado de um dado do relatório do governo, o número de mortes de pessoas não vacinadas no país foi maior do que das pessoas que já tomaram ao menos a primeira dose da vacina.

O estudo demonstrou, segundo o relatório do governo, que a diferença de mortalidade entre vacinados e não-vacinados aumenta quanto maior a faixa etária. Isso porque os mais velhos foram vacinados primeiro. Mesmo critério adotado no Brasil.

Segundo dados do site Our World in Data, até a última segunda-feira(06), 62,15% da população argentina recebeu ao menos uma dose de vacina contra a Covid.

Em maio deste ano, no auge da segunda onda da doença, o país chegou a registrar uma média de 33 mil novos casos por dia. Nesta terça(07), a média estava em quatro mil. Mais um indicador dos bons resultados do processo de vacinação.

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Mensagem com informações falsas sobre vacinação na Argentina
Mensagem com informações falsas sobre vacinação na Argentina

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