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Vídeo apresenta indícios de fraudes na apuração eleitoral?

No vídeo, a irmã da médica Nise Yamaguchi conversa com um homem não identificado, que apresenta supostas evidências de fraudes, já desmentidas pelo TSE e por especialistas.

MonitoR7|Do R7

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Enquanto o Congresso Nacional avalia uma Proposta de Emenda Constitucional(PEC) que estabelece a adoção do voto impresso, voltou a ser compartilhado nas redes sociais um vídeo antigo, com acusações de fraudes e fragilidade do atual sistema eleitoral brasileiro. Com duração de 15 minutos, o vídeo traz uma conversa de Naomi Yamaguchi com um homem não identificado, que alega ter descoberto manipulação na apuração das eleições presidenciais de 2014, entre Dilma Rousseff e Aécio Neves.

Naomi Yamaguchi divulgou esse vídeo na página dela no Facebook, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial seguinte, em 2018, entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Naomi, que é irmã da médica Nise Yamaguchi, foi candidata a deputada federal naquele ano, pelo PSL de São Paulo. Ela não foi eleita. 


Suposto algoritmo

O homem ouvido por Naomi Yamaguchi, que é apresentado como perito, alega ter usado cálculos matemáticos para concluir que houve fraude em 2014. Em uma planilha, a fonte não identificada calculou o aumento dos votos de Aécio e Dilma a cada parcial da apuração, no site do Tribunal Superior Eleitoral(TSE). A partir disto, ora a parcial do tucano era maior, ora a da petista era maior. Ele afirma que aquilo formava um padrão, em que os dois candidatos estavam intercalados por 241 vezes e que aquilo seria a prova de que a apuração dos votos foi fraudada por meio de uma algoritmo. 


Para Thoran Rodrigues, mestre em Matemática, o suposto perito estabelece uma "relação espúria" entre os números obtidos na apuração. "Relação espúria" é um termo estatístico que define que o fato de haver uma relação entre dois números, em meio a uma grande tabela de dados, não significa que um número cause o outro. No jargão estatístico, correlação não significa causalidade. "Pode ser uma uma mera coincidência".

Em resposta ao vídeo, em 2018, o Tribunal Superior Eleitoral publicou em seu site que "para serem replicados os estudos que o analista desconhecido fez, é preciso que se esclareça a metodologia e fontes utilizadas, com vistas à análise e reprodução do cenário e das restrições em que se aplicam".


Variações normais durante a operação

Outra denúncia feita pelo homem ouvido no vídeo foi de que teria havido uma mudança injustificada na votação entre os dois candidatos durante a apuração. O candidato do PSDB abriu uma larga vantagem de votos sobre a candidata do PT, no início da apuração, com as porcentagens em aproximadamente 67% para Aécio e 33% para Dilma. Mas essa vantagem foi diminuindo progressivamente, até a virada a favor de Dilma, duas horas e meia depois da primeira parcial da apuração. O suposto perito considera que isso não representa a realidade, pois Dilma começou a diminuir a liderança de Aécio em regiões onde a petista perdeu, no caso o Sul e o Sudeste.


A resposta do TSE: "O comportamento da curva de desempenho (acompanhamento do percentual de votos válidos minuto a minuto) entre os candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves está de acordo com o esperado. As grandes variações no início da totalização são decorrentes da quantidade de votos apurados, ou seja, quanto maior o número de votos apurados menor será a variação(ou impacto) do acréscimo dos votos apurados".

Sem discrepância com pesquisas

O vídeo de Naomi Yamaguchi traz também a informação de que o resultado final não está de acordo com as pesquisas eleitorais divulgadas antes da votação. A fonte anônima chega a afirmar que o candidato do PSDB tinha cerca de 70% de intenção de voto nas pesquisas eleitorais da véspera. Mas isso não é verdade.

Nenhuma pesquisa chegou a este resultado naquela época. A pesqisa Ibope da véspera da votação sinalizava uma vitória de Dilma com uma pequena diferença entre os dois. A pesquisa Datafolha apontava empate técnico. Mesmo pesquisas que apontavam possível vitória de Aécio Neves(como CNT/MDA e Sensus) indicavam diferença de, no máximo, 4,2 pontos percentuais. Além disso, não é possível comparar resultados de pesquisas eleitorais(feitas com amostras) com eleições(com a participação de todos os eleitores). 

Lei de Bendford

O suposto perito usa ainda a chamada Lei de Bendford, uma tendência matemática que indica os dígitos que comumente aparecem com mais frequência numa sequência de números. Segundo essa "lei", no Matemática, num conjunto grande de números, é natural que apareçam mais números começando com dígito 1, depois com dígito 2 e assim por diante, com menor frequência de números começancom com dígito 9. Ele afirma que os dados da apuração da eleição entre Dilma e Aécio não seguiram a Lei de Bendford, porque aparecem mais números começando com o dígito 5 do que com o dígito 1. Outras publicações, também usam o argumento da Lei de Bendford para dizer que o resultado da eleição de 2014 é fraudado.

Segundo Thoran Rodrigues, "o ponto-chave é que não é uma 'lei' no sentido tradicional da palavra. "Quando falamos de uma lei no contexto da Matemática, não é algo que sempre acontece e sempre é seguido. No caso da Lei de Benford, é algo que algumas sequências de números, que tem características específicas, obedecem", afirma o matemático. 

Imagem extraída de vídeo
Imagem extraída de vídeo

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