O que explica o amor incondicional dos brasileiros a Sandy & Junior
Comoção que envolve a turnê que comemora os 30 anos da dupla releva um país nostálgico em busca do conforto perdido
Os últimos anos têm sido cruéis para a música brasileira em que pouco, ou quase nada, desperta nossa atenção pela capacidade de transgredir, incomodar e nos proporcionar algo além da diversão fácil e passageira.
O furacão Sandy & Junior, 30 anos depois, está aí para não nos deixar mentir. Quando a dupla anunciou sua turnê de comemoração aos 30 anos, de óbvios interesses comerciais, fez-se a comoção. Filas se formaram em portas de estádios, sites de vendas de ingresso ficaram congestionados, o mundo do entretenimento se abriu aos irmãos que nada de relevante produziram nas últimas décadas.

Qual seria a razão de tanto amor represado pela dupla? Sandy & Junior representam um Brasil que não existe, e por não existir, é inofensivo, inodoro, incolor e não faz mal a saúde.
Sandy & Junior fazem a música que nos leva a zona de conforto, a um mundo de unicórnios pastando e crianças sorridentes. Não há balas perdidas matando inocentes e nem gente soterrada pela lama. O Brasil de Sandy & Junior não mete medo, nem provoca repulsa, é leve e insosso como um domingo no parque.
Escapismo puro, ingênuo e meio infantilóide, Sandy & Junior, a dupla, é tudo que o brasileiro médio precisa, uma passagem de fuga, uma quimera da infância e da adolescência em que supunha, era mais feliz. Mas pobre, pobre, pobre de um país que precisa de Sandy & Junior para se reconciliar com seus sonhos e voltar a sorrir.
