Hospital Agamenon Magalhães promove ação sobre saúde auditiva
Mobilização acontece na manhã desta quarta-feira, no Sítio da Trindade, em Casa Amarela, Zona Norte do Recife
Folha de Pernambuco|Do R7

Após 13 anos trabalhando como motorista, sendo cinco de caminhão e oito de ônibus, o aposentado Gercino Gomes da Rocha, 66, começou a perceber que estava com dificuldade para ouvir. Em 2005, a situação se agravou a tal ponto que ele acabou sendo afastado da empresa na qual trabalhava. "Os passageiros pediam parada, mas eu não ouvia o sinal sonoro e acabava furando o ponto", lembra.
Para evitar que casos como esse se repitam e incentivar o cuidado da população com a saúde auditiva, o setor de Otorrinolaringologia e Fonoaudiologia do Hospital Agamenon Magalhães (HAM) promove nesta quarta-feira (6) uma série de ações no Sítio da Trindade, em Casa Amarela, Zona Norte do Recife.
Pela manhã, das 9h às 12h, ocorre o 10º Encontro de Pacientes com Implante Coclear com programação voltada para a saúde auditiva. Haverá mobilização com ação de panfletagem, espetáculo para crianças e adultos com o grupo Palhaçaria (Cia Suno/SP), além da presença de pacientes que realizaram o procedimento cirúrgico, familiares e especialistas para falar sobre o tema.
A programação é uma forma de chamar a atenção para a Semana Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, além de celebrar os 10 anos do Programa de Implante Coclear, no HAM, que é um dos serviços de referência em Pernambuco, além do Imip, credenciado pelo Ministério da Saúde (MS), para realização da cirurgia do implante coclear.
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A cirurgia é indicada para quem tem perda severa ou profunda da audição em ambos os ouvidos. Desde o início da implantação do serviço no Hospital Agamenon Magalhães, em dezembro de 2009, 210 pacientes foram beneficiados pela cirurgia. Na unidade, uma equipe multidisciplinar composta por assistente social, psicólogo, psicopedagogo, neuropediatra, otorrinolaringologista e fonoaudiólogo, realizam o tratamento de reabilitação da audição e da fala no paciente com deficiência auditiva, além de acompanhamento psicológico de familiares. "Depois que fiz o implante voltei a fazer coisas que para muitos pode ser banal, mas para mim fazia falta, como assistir televisão, usar telefone", lembra o aposentado Gercino Gomes.
A chefe do setor de Otorrinolaringologia do HAM, Mariana Leal, informa que no caso dos adultos entre as causas está a perda auditiva induzida por ruído, que é aquela exposição frequente a sons altos. "Ocorre principalmente com trabalhadores expostos a ambientes barulhentos que não usam a proteção adequada e com pessoas que usam fone com frequência e em volume alto", disse. Em crianças que já nascem com a deficiência o diagnóstico deve ser feito o quanto antes, de preferência até os quatro anos de idade, para otimizar o tratamento e a aquisição da fala. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 360 milhões de pessoas no mundo vivem com alguma deficiência auditiva incapacitante.
Prevenção
A médica explica que a perda auditiva grave pode ser reabilitada por meio de aparelho auditivo ou de implante coclear oferecido de forma gratuita pelo SUS. Uma prótese é colocada na parte interna do ouvido, através de uma cirurgia, e outra presa ao redor da orelha, composta pela antena e o processador de fala. O aparelho capta os sons e transfere diretamente este som para o nervo auditivo, possibilitando que o paciente gradativamente comece a ouvir, permitindo uma comunicação eficiente. Após um mês da operação, o paciente começa a usar o aparelho externo, programado para que a estimulação elétrica realmente ocorra.
A médica ressalta que nos últimos dez anos houve um grande avanço no combate a perda auditiva. "Na medida em que a tecnologia avança isso é transportado para os processadores. Hoje em dia os aparelhos são menores, mais leves, com mais recursos e mais qualidade no processamento do som. Existe também uma mudança no processo de diagnóstico que tem ocorrido mais precoce e mais preciso. Contudo, Mariana Leal ressalta que a prevenção é a melhor solução. "A perda auditiva induzida por ruído é irreversível, por isso temos tanta preocupação. Pode-se usar aparelho auditivo para reabilitar, mas não é reversível. Existe muita informação a respeito dos cuidados, mas as pessoas não as seguem", comenta.















