Menopausa: o começo de um nova etapa na vida

Mudanças no corpo da mulher, causadas pela queda hormonal, devem ser vividas positivamente a partir de readequação de hábitos

Mudanças no corpo da mulher, causadas pela queda hormonal, devem ser vividas positivamente a partir de readequação de hábitos

Mudanças no corpo da mulher, causadas pela queda hormonal, devem ser vividas positivamente a partir de readequação de hábitos

Folha de Pernambuco

A menopausa não deve ser bicho de sete cabeças. As mudanças, que acontecem pela queda hormonal desta fase da vida da mulher, conseguem atingir intensamente o corpo, mas não devem ser enfrentadas como algo negativo. A maturidade conquistada pela mulher, na faixa etária dos 45 a 55 anos, sofre uma transformação. Os hormônios que influenciaram seu corpo por 30, até 40 anos, param de ser produzidos, como que para um aviso do fim da fertilidade.

Mas o fim da fertilidade passa longe de ser o fim da vida física, social e sexual de uma mulher. Como uma das frequentes mudanças do corpo humano, a menopausa exige uma maior atenção ao que deixou de ser produzido, com acompanhamento médico hormonal, nutricional e físico.

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Antes mesmo de a menopausa ser determinada muitas mulheres sentem sua chegada com o climatério. Ele antecede a falta de menstruação com alguns sintomas vindos da queda dos hormônios sexuais femininos, o estrogênio e a progesterona. Produzido principalmente pelos ovários, o estrogênio tem responsabilidade pela distribuição de gordura no corpo, equilíbrio das gorduras no sangue e fixação do cálcio nos ossos. Sua ausência põe em risco o coração e a composição óssea da mulher. Já a progesterona é produzida pelo corpo lúteo, preparando o útero para uma possível gestação. A chegada da menopausa se dá, por fim, com o esgotamento da função dos ovários e o fim da menstruação. "Considerando um ano desde a última menstruação, a gente considera que a mulher está na menopausa", esclareceu a médica ginecologista, especialista em climatério, Karina Cidrim.

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De acordo com a endocrinologista Maria Fernanda Della Santa, há uma série de atitudes que podem amenizar a queda hormonal do fim da menstruação no corpo. “É recomendado que a mulher tenha uma dieta mais rica em cálcio, vitamina D e passe a ter uma dieta mais pobre em gorduras”, informou. Para a garantia de uma melhor adaptação com a mudança corporal, alimentação balanceada e exercícios físicos são indicados.

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A educadora física Marisa Braga trabalha com muitas mulheres na idade do climatério e menopausa. "O exercício físico auxilia, dentre outros fatores, na questão da melhora do humor, pois muitas mulheres reclamam que ficam mal-humoradas na menopausa. Ele permite a liberação de outros hormônios, como serotonina e dopamina, que dão satisfação", acrescentou. A mudança corporal exige uma mudança no estilo de vida, que vai levar o corpo para um equilíbrio balanceado. Porque, definitivamente, não tem ninguém que mereça e nem é direito passar por qualquer fase da vida de forma negativa.

No corpo feminino, o hormônio sexual que tem sua falta mais acentuada é o estrogênio. Sem ele, a mulher passa a desenvolver, em alguns casos, acúmulo de gordura corporal, perda de qualidade do osso, falta de libido, secura vaginal, fadiga, insônia e até depressão. Não manifestados em todas as mulheres, esses sintomas podem ser atenuados pela reposição hormonal, que é indicada para o sintoma mais "famoso" da menopausa: o fogacho. "O principal sintoma da menopausa, único que tem indicação de ser tratado, com comprimido de forma oral, é o fogacho, um aumento de temperatura corporal, voltando ao normal depois de um curto espaço de tempo. Para o sistema cardiovascular, esse aumento repentino de temperatura é comprovadamente ruim", relatou Karina.

Maria Lucineide Marques, 60, já não esperava ter sintomas da menopausa quando, enfim, eles apareceram. "Eu entrei na menopausa com 43 anos, após passar por um período de longos sangramentos. Quando esse período passou, entrei definitivamente na menopausa. Mas nunca senti nada, até que agora, aos 60 anos, comecei a sentir os fogachos", relatou a aposentada. Uma prova de que os sintomas podem aparecer de forma particular em cada mulher, Maria pode ser recomendada para reposição hormonal.

Já a artesã Lucy Celestino, 51, apresentou vários sintomas do climatério. “Eu menstruei aos 12 anos, passei toda minha vida inteira sem problemas, até o climatério, que mudou isso”, explicou. Os diversos sintomas foram aparecendo para ela, que não recebeu indicação para tratamento hormonal, por causa do histórico de câncer na família. “Comecei a ficar melancólica e a sentir dores durante as relações sexuais, além do calor muito forte”, relatou. Com três anos de mudanças no climatério até a chegada da menopausa, ela decidiu prestar mais atenção no que sente e cuidar da nutrição e bem-estar físico. “No meu caso foi um baque, mas que trouxe uma clareza sobre os cuidados que preciso ter daqui para frente. Descobri que eu sou mais que a menopausa e que tendo esse conhecimento você pode escolher como quer envelhecer”, assegurou.

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