'Obrigado, mas precisamos de patrocínio', diz ator em prêmio Shell de teatro

Luis Miranda, ganhador do troféu de melhor ator por 'O Mistério de Irma Vap', fez um apelo pela sobrevivência do campo

Luis Miranda, ganhador do troféu de melhor ator por 'O Mistério de Irma Vap', fez um apelo pela sobrevivência do campo

Luis Miranda, ganhador do troféu de melhor ator por 'O Mistério de Irma Vap', fez um apelo pela sobrevivência do campo

Folha de Pernambuco

Com poucos títulos repetidos em suas nove categorias - apenas "Mãe Coragem" e "O Mistério de Irma Vap" concorriam em mais de duas delas- a 32º edição paulista do Prêmio Shell, realizado nesta terça (10), foi marcado pela pulverização. Nenhum dos 25 espetáculos no páreo ganhou mais de uma estatueta.

Apresentada pelos atores Leopoldo Pacheco e Vilma Melo, a cerimônia realizada num espaço na Vila Olímpia, na região sul, foi marcada por discursos politizados. Algumas vezes, de onde menos se esperava. Foi o caso do agradecimento do francês Cyril Desclés, diretor de "Cais Oeste".

Ao receber o prêmio destinado a Carlos Calvo pelo cenário da peça, ele afirmou que todas as instituições do seu país natal têm muita solidariedade com os contratempos pelos quais o país vem passando. As falas mais fortes da noite ficaram, no entanto, reservadas para o final.

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Luis Miranda, ganhador do troféu de melhor ator por "O Mistério de Irma Vap", fez um apelo pela sobrevivência do campo, um dos que mais sofreu com tentativas de censura e a diminuição do teto da Lei Rouanet. "Estamos sofrendo uma guerra terrível, sobrevivendo de caridade. A gente é sério, não é palhaçada. Precisamos de patrocínio, além dos prêmios. Obrigado, mas precisamos de incentivo."

Já a dramaturga e autora de novelas Maria Adelaide Amaral, homenageada da noite, lembrou os tempos da ditadura ao subir ao palco. Finalizou o discurso com uma crítica ao governo atual. "Não tem a menor condição de ter um governo que vira as costas para a cultura e ainda se orgulha disso", declarou.

Também houve momentos descontraídos. Janaina Leite, que recebeu o prêmio de dramaturgia por "Stabat Mater", levou sua mãe para o palco ao agradecer. Aos 76 anos e nenhuma experiência prévia no teatro, ela contracena com Leite e com um ator pornô na peça.

E Beto Bruel, iluminador de "Lazarus", musical escrito por David Bowie, dedicou à equipe a obtenção do visual distorcido com espelhos e projeções geométricas do espetáculo. "Realmente, foi uma coisa muito difícil de fazer", disse. Na próxima terça (17), acontecerá a cerimônia do Prêmio Shell Rio de Janeiro, no Copacabana Palace.

Vencedores do 32º Prêmio Shell
Iluminação

Beto Bruel, por "Lazarus"

Figurino
Simone Mina, por "Insônia - Titus Macbaeth"

Música
Dani Nega, Eugênio Lima e Roberta Estrela D'Alva por "Terror e Miséria no Terceiro Milênio - Improvisando Utopias"

Cenário
Carlos Calvo, por "Cais Oeste"

Inovação
Estopô Balaio, por "Cidade dos Rios Invisíveis"

Dramaturgia
Janaina Leite, por "Stabat Mater"

Direção
Daniela Thomas, por "Mãe Coragem"

Ator
Luis Miranda, por "O Mistério de Irma Vap"

Atriz
Tania Bondezan, por "A Golondrina"