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Entenda os impactos da castração no comportamento de cães e gatos

Além de beneficiar a saúde do animal e ajudar no controle populacional, procedimento também pode alterar alguns hábitos do pet

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Apesar de a castração ser amplamente conhecida pelos benefícios ligados à saúde e ao controle populacional, ela também pode afetar o comportamento de cães e gatos, impactando fugas, marcação de território e disputas entre animais. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, o sistema nacional SinPatinhas já contabiliza mais de 650 mil animais cadastrados no Brasil e 52% deles são castrados.

A seguir, André Cavalieri, especialista em comportamento animal e sócio da Dog Corner, comenta pontos importantes sobre os impactos da castração no comportamento e no bem-estar dos pets. Confira!


1. A castração pode ajudar a reduzir fugas

Muitos cães e gatos fogem de casa motivados pela busca de parceiros durante o período reprodutivo. Segundo André Cavalieri, esse é um dos comportamentos que mais costumam diminuir após o procedimento.


“Após a castração, alguns comportamentos podem diminuir, principalmente aqueles ligados diretamente à ação hormonal. Em cães e gatos, é comum observar redução nas fugas motivadas por busca de parceiros”, explica.

Além de ajudar na rotina dentro de casa, a redução desse comportamento também diminui situações de risco, como acidentes, brigas e desaparecimentos.


2. A marcação de território tende a diminuir

A marcação com urina, principalmente em machos, também está bastante relacionada à influência hormonal. “A testosterona influencia atitudes como disputa territorial, impulsividade, fugas e marcação com urina. Em muitos cães e gatos machos, a castração ajuda a reduzir esses comportamentos porque diminui o estímulo hormonal”, afirma André Cavalieri. Apesar disso, ele reforça que o ambiente e a rotina do animal também têm grande influência no comportamento.


3. Disputas e comportamentos impulsivos podem ficar menos intensos

Animais não castrados podem apresentar mais competitividade em situações relacionadas à reprodução e território. Em alguns casos, isso gera conflitos dentro de casa ou durante passeios. “Em muitos casos, os animais também ficam menos reativos em situações específicas ligadas à competitividade hormonal”, destaca André Cavalieri.

A castração não deve ser vista como uma solução isolada para questões comportamentais Shutterstock

Castração não resolve todos os problemas de comportamento

Um dos erros mais comuns entre tutores é acreditar que o procedimento sozinho resolverá quadros de agressividade, ansiedade ou reatividade. “Muitos casos têm origem emocional, medo, insegurança, falta de socialização ou manejo inadequado. Por isso, apenas castrar não resolve automaticamente problemas comportamentais já consolidados”, alerta André Cavalieri.

Segundo ele, comportamento é resultado de vários fatores, incluindo experiências vividas, genética, ambiente e estímulos do dia a dia. Além disso, o pet não perde sua personalidade após a castração. “O pet continua tendo sua essência, nível de energia e características individuais. A castração não muda completamente a personalidade do animal”, explica.

Rotina equilibrada continua sendo essencial

Mesmo após a castração, cães e gatos precisam de estímulos físicos e mentais para manter o equilíbrio emocional e a qualidade de vida. “Um animal equilibrado emocionalmente depende de vários fatores: socialização adequada, estímulos mentais, rotina organizada, gasto de energia, limites claros e ambiente saudável”, afirma André Cavalieri.

O especialista reforça que um pet que vive sem direcionamento, estressado ou sem enriquecimento ambiental pode continuar apresentando ansiedade e outros comportamentos problemáticos mesmo após o procedimento.

“A castração pode contribuir para uma convivência mais tranquila, principalmente ao reduzir comportamentos impulsivos ligados à reprodução, como fugas, marcação excessiva e disputas territoriais. Mas o principal ponto é entender que qualidade de vida vem do conjunto: saúde física, emocional e ambiental caminham juntas”, conclui.

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