Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

Sono da beleza: entenda como dormir bem é importante para a pele

Mais do que uma questão estética, o descanso adequado influencia processos biológicos profundos

Portal EdiCase

Portal EdiCase|Do R7

  • Google News
Sono da beleza: entenda como dormir bem é importante para a pele Portal EdiCase

Cremes, séruns e procedimentos estéticos ajudam, mas há um fator silencioso que impacta diretamente a aparência: o sono. Noites mal dormidas deixam marcas visíveis no rosto, favorecem inchaço, acentuam olheiras e comprometem o viço natural. Mais do que uma questão estética, o descanso adequado influencia processos biológicos profundos que determinam como a pele se regenera e responde às agressões diárias.

“O ‘sono da beleza’ existe e tem fundamento científico. Durante o sono profundo, o corpo ativa mecanismos de reparo celular, que são essenciais para a renovação da pele e para a recuperação da vitalidade”, explica o Dr. Paulo Reis, otorrinolaringologista especialista em Medicina do Sono e coordenador científico do grupo Bonviv Brasil.


A pele pode revelar se uma pessoa está dormindo bem ou não. “Quem dorme bem costuma ter uma aparência mais descansada, com pele viçosa e menos olheiras. Em contrapartida, quando o sono é de má qualidade, a circulação sanguínea fica prejudicada, surgem olheiras e inchaço e a pele perde o brilho”, afirma o médico.

Envelhecimento precoce e perda de colágeno


Além do impacto direto na aparência, noites mal dormidas também podem acelerar o envelhecimento da pele. “A privação de sono aumenta o estresse oxidativo, reduz a produção de colágeno e compromete a regeneração celular. Isso se traduz em rugas mais visíveis, pele mais opaca e até queda de cabelo em alguns casos. Ou seja, cuidar do sono é tão importante quanto usar bons cosméticos”, diz o Dr. Paulo Reis.

Dormir bem é um ótimo “remédio” contra rugas. “É durante o sono que ocorre o relaxamento muscular, que evita as rugas de expressão pela mímica facial durante o dia, e a liberação de substâncias como o hormônio do crescimento (GH), que é responsável pelo desenvolvimento e renovação celular, inclusive das células de colágeno, que são fundamentais para a firmeza e viço da pele”, ressalta a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.


Cortisol, acne e estresse

Noites mal dormidas podem aumentar a liberação de cortisol, conhecido como hormônio do estresse. “Consequentemente, há um aumento de radicais livres, oxidação das células da pele e aceleração do processo de envelhecimento cutâneo”, diz a Dra. Paola Pomerantzeff.


Ela ainda afirma que, ao aumentar os níveis de cortisol, o estresse também estimula hormônios andrógenos que favorecem a produção de oleosidade, com entupimento dos poros e surgimento de cravos e espinhas. “O estresse ainda está associado à baixa imunidade e excesso de queratina, que contribuem com a proliferação de bactérias relacionadas à acne“, acrescenta a dermatologista.

Sono e estresse têm uma relação de mão dupla. “Dormir mal aumenta o estresse, porque o corpo não consegue se recuperar e o cérebro fica em estado de alerta. Por outro lado, o estresse atrapalha o sono, já que a mente acelerada impede o relaxamento necessário para adormecer. É como um ciclo vicioso: quanto mais preocupado, pior se dorme; quanto pior o sono, mais vulnerável ao estresse se fica”, diz o Dr. Paulo Reis.

Papel do ciclo circadiano

Todos esses processos estão diretamente relacionados com o chamado ciclo circadiano. “Esse ciclo é mediado por uma área no hipotálamo do cérebro chamada núcleo supraquiasmático, que coordena a liberação de hormônios que, à noite, diminuem a temperatura corporal e a pressão arterial e nos fazem sentir sono; pela manhã, o cortisol e outros hormônios restauram nosso estado de alerta, nos aquecem e aumentam a pressão arterial”, destaca a Dra. Deborah Beranger, endocrinologista, com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ).

É fundamental investir em cuidados que vão manter os ritmos circadianos normais e contribuir com a qualidade do sono. E engana-se quem acredita que isso se resume a dormir bastante. “As pessoas muitas vezes têm a percepção equivocada de que dormir muito ou dormir a noite inteira é sinônimo de ter dormido bem. E isso nem sempre é verdade. Se você dormiu um sono mais superficial ou fragmentado, por exemplo, terá um sono de qualidade ruim, apesar de ter dormido a noite toda”, ressalta o Dr. Paulo Reis.

Inclusive, algumas condições de saúde podem prejudicar a qualidade do sono. “Doenças intrínsecas do sono, como o ronco, a apneia do sono e a síndrome das pernas inquietas, por exemplo, são fatores comuns na população que geram um sono ruim. E muitas vezes são condições desconhecidas ou negligenciadas”, explica o médico.

Características de um sono de qualidade

Segundo o otorrinolaringologista, dormir bem realmente envolve ter um tempo de sono suficiente para que cérebro e corpo descansem e se recuperem, porém, vai muito além. “Um sono de qualidade inclui outras variáveis, como continuidade durante a noite (sono contínuo com poucos despertares e interrupções), estágios normais de sono (do mais leve ao mais profundo e ao REM) em proporções adequadas e regularidade nos horários de dormir e acordar de acordo com as individualidades de cada pessoa”, diz o Dr. Paulo Reis.

Ele também afirma que, do ponto de vista prático, o que irá nos mostrar se o sono foi bom será acordar descansado, ter energia e concentração suficientes durante o dia sem a necessidade de estimulantes, como cafeína, medicamento psicoestimulante e afins, e não ter sonolência para realização das atividades cotidianas.

Higiene do sono: estratégia prática

Uma boa estratégia para garantir um sono de qualidade é a higiene do sono. “A higiene do sono é como preparar o terreno para que o sono aconteça de forma natural e restauradora. Quando mantemos bons hábitos de sono, melhoramos não apenas a quantidade de horas dormidas, mas principalmente a qualidade do descanso”, diz o especialista em sono.

A higiene do sono é simples, mas eficaz. “Alguns cuidados simples fazem uma diferença enorme, como: dormir e acordar em horários parecidos, mesmo nos fins de semana; manter o quarto silencioso, escuro e em temperatura agradável; ter um bom colchão e um travesseiro adequado; evitar telas e luzes fortes antes de dormir, trocando pelo hábito de ler ou ouvir algo leve; e evitar estimulantes, como álcool, exercícios intensos no período noturno e cafeína após o almoço”, explica o Dr. Paulo Reis.

Posição ao dormir e formação de rugas

Pensando especificamente na pele, na hora de dormir, evite deitar de um lado específico ou de bruços, optando sempre por ficar de barriga para cima. “A pressão e o atrito da pele com o travesseiro quando dormimos de lado ou de barriga para baixo podem formar rugas estáticas, conhecidas como sleep lines ou linhas do sono, fazendo com que o rosto adquira um aspecto assimétrico e envelhecido mais rapidamente”, diz a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff.

Ela também aconselha o uso de travesseiros projetados para reduzir o contato facial com o tecido, como os travesseiros para pescoço. “Outra dica é trocar as fronhas de algodão, que promovem maior atrito com a pele, por aquelas de cetim e seda, que permitem que o rosto deslize sem tração, diminuindo a formação de rugas”, diz a médica.

Procedimentos estéticos e recuperação

Para quem já sofre com os sinais do envelhecimento na pele, pode ser interessante investir em procedimentos como o Volnewer, uma radiofrequência monopolar que aquece a derme até a temperatura de 60 °C, promovendo estímulo e reorganização das fibras de colágeno, segundo a Dra. Paola Pomerantzeff.

“Com isso, o procedimento consegue melhorar a textura da pele, dar viço e reduzir sinais de envelhecimento. Ele também promove a ‘redensificação’ da pele, com melhora da espessura do tecido cutâneo, que sofre com afinamento devido ao processo natural de envelhecimento”, diz a especialista.

Além disso, a dermatologista Dra. Flávia Brasileiro, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que procedimentos tecnológicos podem ser associados ao Hydrafacial, uma tecnologia de hidrodermoabrasão que melhora a qualidade da pele.

“A plataforma tem várias ponteiras, cada uma com uma característica diferente, e consegue fazer a remoção da sujidade e da oleosidade, inclusive de micropoluentes que ficam aderidos dentro dos poros e nem sempre conseguimos remover com a limpeza de pele manual”, explica a profissional.

Mas ainda há mais. De acordo com a Dra. Paola Pomerantzeff, “também há a aplicação de beta-hidroxiácidos, como o ácido salicílico, e alfa-hidroxiácidos, como o ácido glicólico, para diminuir a espessura do estrato córneo, que é a primeira camada da pele, o que prepara a pele para receber o drug-delivery, que vai introduzir na pele, chegando em camadas mais profundas, peptídeos sinalizadores de colágeno, antioxidantes, clareadores e substâncias hidratantes”.

O sono como parte do tratamento estético

É importante ressaltar que um sono de qualidade é importante, inclusive, para resultados satisfatórios de procedimentos estéticos. “O sono tem papel decisivo na recuperação e nos resultados de procedimentos estéticos. É durante o descanso que o corpo intensifica a cicatrização, regula a inflamação e otimiza o sistema imunológico. Uma paciente que dorme bem tende a se recuperar mais rápido, com menor risco de complicações e resultados estéticos mais satisfatórios. O sono deve ser visto como parte do tratamento, tão essencial quanto os cuidados prescritos pelo médico”, finaliza o Dr. Paulo Reis.

Por Maria Claudia Amoroso

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.