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Além das Embaixadas

Brasil e Nova Zelândia duelaram na Copa do Mundo de 1982; agora querem acordos bilionários

Tratado audiovisual, inovação tecnológica e intercâmbio estudantil reforçam parceria econômica superior a R$ 1,5 bilhão

Além das Embaixadas|Natalie MachadoOpens in new window e Leonardo Meireles, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Brasil e Nova Zelândia firmam acordo histórico de coprodução audiovisual.
  • Fluxo comercial entre os dois países ultrapassa R$ 1,5 bilhão, com foco em agronegócio e tecnologia.
  • Intercâmbio educacional permite que estudantes brasileiros estudem na Nova Zelândia sem visto por até três meses.
  • Nova Zelândia busca dobrar valor das suas exportações até 2034, reforçando parcerias com o Brasil.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Winston Peters, ministro da Nova Zelândia, fala para o público brasileiro Leonardo Meireles/R7 - 05.03.2026

A relação entre Brasil e Nova Zelândia entra em nova fase com avanço comercial, cooperação tecnológica e acordo cultural inédito firmado em Brasília. A aproximação inclui investimentos em inovação, expansão do agronegócio, educação internacional e produção audiovisual conjunta.

Os números mostram dimensão crescente dessa parceria. O fluxo comercial entre a Nova Zelândia e a América Latina ultrapassou R$ 1,5 bilhão no último ano, com o Brasil ocupando posição estratégica nesse cenário.


Leia mais: Brasil e Nova Zelândia selam aliança audiovisual inédita

Não à toa, o país da Oceania mandou um time de peso, liderado pelo ministro de Negócios Estrangeiros, Winston Peters, para um tour pela América Latina. A equipe, que inclui políticos da oposição, passou por Buenos e Montevidéu antes de chegar ao Brasil.


Setores como laticínios, educação, tecnologia e serviços lideram esse intercâmbio econômico, enquanto o agronegócio aparece como eixo central da cooperação.

Tudo isso para cumprir um objetivo econômico claro do país: dobrar o valor das exportações até 2034.


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Agronegócio e inovação

A Nova Zelândia construiu ao longo de décadas um modelo altamente eficiente no campo. Técnicas avançadas de genética animal, rastreabilidade, gestão rural e monitoramento digital atraem interesse do mercado brasileiro.

Essas soluções dialogam diretamente com desafios enfrentados no Brasil, sobretudo aumento de produtividade, sustentabilidade e competitividade global.


Essa estratégia ganhou destaque durante o Innovation Showcase, evento realizado em Brasília com empresas neozelandesas especializadas em tecnologia aplicada a diferentes setores da economia.

Copa do Mundo

O ministro Winston Peters destacou valores compartilhados entre os dois países. Mas não deixou de lembrar do encontro entre as duas seleções na Copa do Mundo de 1982, em que o Brasil ganhou de 4 x 0. E jogadores como Zico, Sócrates e Falcão deixaram o político extasiado.

Segundo ele, mesmo com a distância geográfica, Brasil e Nova Zelândia dividem compromissos comuns.

“Compartilhamos valores importantes: compromisso com democracia, direito internacional e multilateralismo. A diplomacia nunca teve tanta importância quanto agora.”

O ministro também afirmou existir decisão política clara em Wellington para ampliar relações com o Brasil.

“Reconhecemos lacunas no aprofundamento dessas relações ao longo das últimas décadas. Nossa intenção agora envolve não apenas melhorar essa parceria, mas transformá-la.”

Acordo inédito no Itamaraty

Na noite de quarta-feira (4), o Palácio do Itamaraty, em Brasília, sediou a assinatura de um acordo histórico de coprodução audiovisual entre Brasil e Nova Zelândia.

O documento recebeu assinatura do chanceler brasileiro Mauro Vieira e do ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters.

O tratado cria base prática para colaboração entre produtoras dos dois países em filmes, séries e animações.

Projetos desenvolvidos em conjunto passam a ter acesso facilitado a financiamentos, incentivos fiscais e acordos de distribuição internacional vigentes em ambos os mercados.

Além disso, o acordo simplifica circulação de profissionais e a importação temporária de equipamentos utilizados em produções audiovisuais.

Tecnologia já usada no Brasil

Entre as empresas presentes no evento, a Tait Communications apresentou soluções de radiocomunicação voltadas para operações críticas. A tecnologia permite comunicação simultânea entre diversos usuários — modelo conhecido como “um para muitos”.

Segundo Ricardo Bovo, CEO da empresa no Brasil, esse sistema ganha importância em situações nas quais redes celulares não funcionam.

“A Tait trabalha com comunicação. O rádio permite contato um para muitos. O celular realiza comunicação um para um. Nas situações onde atuamos, normalmente o celular não funciona.”

O sistema opera hoje em 13 estados brasileiros, incluindo forças policiais de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná. O protocolo utilizado possui criptografia semelhante à adotada pelo FBI.

Segundo Bovo, o mercado de comunicação crítica no Brasil movimenta cerca de R$ 300 milhões por ano. “Segurança de shopping usa rádio. Não usa celular. O motivo envolve custo e eficiência. Trata-se de ferramenta útil e barata.”

Novidades de empresas da Nova Zelândia foram mostradas na exposição Leonardo Meireles/R7 - 05.03.2026

Educação internacional

Outro eixo importante dessa parceria envolve intercâmbio educacional. Programas voltados para estudantes de escolas públicas ampliaram presença brasileira em instituições neozelandesas.

De acordo com Bruna de Natale, gerente da Education New Zealand, iniciativas estaduais tiveram grande adesão.

“Os programas Ganhando Mundo e Prontos Pro Mundo enviaram mais de mil estudantes brasileiros de escolas públicas para a Nova Zelândia desde 2022”, lembrou.

O país também se consolidou como potência na indústria audiovisual e de efeitos especiais, área impulsionada por estúdios ligados ao diretor Peter Jackson, de O Senhor dos Anéis.

Produções internacionais de grande porte utilizam tecnologia neozelandesa. Entre os exemplos citados pela representante está o filme Avatar, vencedor do Oscar de efeitos visuais com pós-produção realizada no país.

A cultura maori, povo originário da Nova Zelândia, também influencia políticas ambientais e educacionais. “Os maoris defendem o conceito de ‘care for the land’, cuidar da terra. Essa visão orienta políticas de sustentabilidade.”

Outro fator atrativo envolve custo. O dólar neozelandês apresenta valor menor em comparação com moedas usadas em destinos tradicionais de intercâmbio.

Estudantes brasileiros podem permanecer no país sem visto em cursos de até três meses. Para programas mais longos, a autorização permite trabalhar até 25 horas semanais.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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