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Além das Embaixadas

Ucrânia expande presença na América Latina e busca apoio humanitário no Senado brasileiro

Invasão da Rússia na Ucrânia completou 4 anos nessa semana

Além das Embaixadas|Natalie MachadoOpens in new window

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Diplomatas e parlamentares durante audiência pública no Senado Carlos Moura/Agência Senado

No marco do 4º aniversário da invasão da Ucrânia pela Rússia, o Senado Federal realizou uma audiência pública que reuniu figuras-chave da diplomacia ucraniana.

O evento contou com a participação de Oksana Dramaretska, diretora do departamento de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia (e ex-embaixadora no México), e de Oleg Vlasenko, encarregado de negócios da Ucrânia no Brasil. Ambos apresentaram um balanço da resistência do país e as expectativas em relação ao papel mediador do Brasil.


Vlasenko destacou o simbolismo da data de 24 de fevereiro, descrevendo-a como um dia de “dignidade, resistência e unidade”. Para o diplomata, o conflito vai além da disputa territorial.

“Defendemos não apenas o nosso território — defendemos os princípios do direito internacional consagrados na Carta das Nações Unidas, em especial a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras”, afirmou.


O encarregado de negócios também definiu os termos sob os quais Kiev visualiza o fim das hostilidades: “A paz não pode significar recompensa ao agressor. A paz não pode significar um conflito congelado que mantenha milhões de pessoas sob ameaça. A paz deve significar a restauração da justiça.”

Dramaretska destacou o papel do legislativo brasileiro na construção de pontes diplomáticas. Segundo a diretora, a criação do Grupo Parlamentar Brasil-Ucrânia no Senado em 2023, sob a liderança do Senador Flávio Arns (PSB-PR), foi um divisor de águas.


“A criação do grupo em nível de Senado em 2023 fortaleceu significativamente nosso diálogo parlamentar, ampliou nossa agenda bilateral e adicionou profundidade estratégica e experiência à nossa cooperação”, afirmou.

A diplomata contextualizou a relação com o Brasil dentro de um movimento maior de aproximação ucraniana com a região da CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos).


A Ucrânia adotou uma estratégia abrangente que já resultou na abertura de embaixadas no Panamá, Equador, República Dominicana e Uruguai, com outras quatro em fase de preparação.

A Resolução de Solidariedade e Aspectos Humanitários

Um dos pontos centrais da audiência foi a menção à Resolução de Solidariedade com a Ucrânia, aprovada pelo Senado em fevereiro de 2025. O documento, que obteve 43 assinaturas, foca em apelos humanitários e no papel do Itamaraty.

A resolução, segundo Dramaretska, pede ao governo brasileiro a realização de esforços de mediação junto à Rússia.

“A Resolução pede ao governo brasileiro, através do distinto corpo diplomático do Itamaraty, que realize esforços de mediação visando pressionar a Rússia ao respeito pelo direito internacional humanitário e pelos princípios fundamentais que buscam preservar a vida humana.”

Entre as preocupações citadas, a diplomata mencionou dados de comissões da ONU: “O texto também urge o Brasil a apoiar os esforços para garantir o retorno de mais de 20.000 crianças ucranianas que foram deportadas à força para a Federação Russa, de acordo com as descobertas de uma comissão independente das Nações Unidas.”

A dualidade da posição brasileira

Reconhecendo a complexidade da geopolítica atual, Dramaretska abordou a relação do Brasil com Moscou, especialmente no âmbito do BRICS e do comércio bilateral. Para a diplomata, o fato de o Brasil manter canais abertos com ambos os lados confere ao país uma posição diferenciada.

“O engajamento político e econômico do Brasil com a Rússia, combinado com seu firme compromisso com os valores democráticos e o direito internacional, coloca o Brasil em uma posição única para contribuir significativamente com os esforços de mediação”, observou.

Conclusão e termos da paz

Ao encerrar, a diretora reiterou que a posição de seu país foca em uma resolução baseada em normas internacionais pré-estabelecidas.

“A Ucrânia não busca uma guerra sem fim. Buscamos uma paz justa e duradoura: uma paz baseada no direito internacional, na soberania e na dignidade humana”, concluiu Dramaretska, agradecendo o que chamou de “atenção e engajamento contínuo do Brasil”.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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