A erupção de selvageria em Angola

Só a imediata ação do governo brasileiro poderá conter os ataques a pastores e funcionários da Igreja Universal

Colaboradores da Universal sofrem violência em Angola

Colaboradores da Universal sofrem violência em Angola

Reprodução/Record TV

Só a imediata intervenção do governo brasileiro pode garantir a integridade física — e a vida — de dezenas de compatriotas submetidos ao cerco da violência num país africano. São pastores, parentes dos religiosos e funcionários da Igreja Universal do Reino de Deus de Angola, vítimas de uma ofensiva tramada desde novembro passado por ex-pastores desvinculados da instituição por práticas imorais ou comprovadamente criminosas.

Precedida por uma intensa campanha difamatória, a vingança dos delinquentes foi desencadeada neste 22 de junho. Em Luanda e outras três cidades, templos foram arrombados e invadidos. Houve ataques a residências, integrantes da Universal foram expulsos e sofreram agressões físicas.

Em Angola desde 1992, a Universal tem naquele país cerca de 500 mil fiéis e 512 pastores, 65 dos quais são brasileiros. As acusações de “racismo”, cinicamente disseminadas pelos ex-pastores afastados dos cultos, são desmentidas pela mera presença de 419 pastores angolanos. As hostilidades brutais aos originários de outras nações é que escancaram a marca da xenofobia.

Sucessivos apelos ao governo local e às autoridades policiais resultaram inúteis. Sob o silêncio dos que detêm o poder, os encarregados de manter a ordem pública contemplam inermes as cenas de guerra. O embaixador brasileiro, Paulino Franco de Carvalho Neto, considera a situação “delicada" e qualificou de "inaceitáveis" a explosão da beligerância. O prosseguimento do cerco sugere que o SOS enviado pelo embaixador ao governo angolano deu em nada.

A erupção de barbárie, insista-se, só será contida pela pronta entrada em cena do governo brasileiro. Cumpre ao Ministério das Relações Exteriores, segundo a Constituição, prestar auxílio a cidadãos brasileiros em qualquer nação onde estejam. Essa ajuda se torna urgentíssima quando há vidas em perigo. Tal ameaça justifica a mobilização de outros ministérios. Angola é beneficiária de generosas relações comerciais, além de demonstrações de solidariedade que incluem financiamentos que permitiram a modernização de uma  infraestrutura em escombros.

Neste momento, há mais que uma igreja à espera do cumprimento das leis e da prevalência da Justiça. Há, também, centenas de milhares de fiéis proibidos de exercer o direito à liberdade religiosa. E há, sobretudo, dezenas de brasileiros aguardando a chegada do socorro que lhes garantirá a sobrevivência ameaçada por ações terroristas.

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