A irresponsabilidade assassina

A epidemia de coronavírus foi estimulada por políticos italianos

Coronavírus

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Ricardo Moraes/Reuters

Com duas notícias incluídas num artigo primoroso, ambas ignoradas pela imprensa brasileira, o jornalista Leonardo Coutinho escancarou a irresponsabilidade de políticos italianos quando a epidemia estava em seu começo.

1. Em 2 de fevereiro, o balanço perturbador — 17. 391 infectados e 302 mortos — parecia reafirmar que se tratava de um  pesadelo chinês. Fora do país em que surgiu, a epidemia contabilizava 186 casos confirmados e um único óbito. Foi então que o prefeito de Florença, Dario Nardella, enxergou nas reações ao coronavírus a ressurreição de antigos preconceitos raciais. E lançou a campanha resumida em três palavras: "Abrace um chinês".

2- Em março, semanas depois da chegada à Itália, a expansão da pandemia foi estimulada pelo governador do Lazio, Nicola Zingaretti. Contaminado, ele não procurou uma UTI. Refugiou-se na teoria segundo a qual a multiplicação dos casos confirmados apressaria a contra-ofensiva de anticorpos que deteriam o avanço do inimigo.

Deu no que deu. Nesta terça-feira, os comandantes da guerra travada na Itália desistiram de socorrer os infectados octogenários abalados por outras enfermidades. Imposta pela insuficiência de leitos nas UTIs, essa escolha de Sofia optou pelo socorro a quem tem menos idade e mais chances de sobrevivência. É provável que sejam salvos alguns infectados que acreditaram no governador do Lazio. Ou abraçaram um chinês em Florença.

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