A negociata interrompida

Prefeito de Araraquara suspendeu a compra de respiradores superfaturados horas depois de confrontado com a denúncia

O prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT)

O prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT)

Secom

Surpreendido neste 30 de abril pela divulgação no Jornal da Record de um contrato suspeitíssimo firmado 17 dias antes entre a secretaria da Saúde de Araraquara e uma empresa de São Paulo, o prefeito Edinho Silva fez o que recomenda o manual do cinismo. Primeiro, publicou uma nota que anulava a transação urdida para comprar 30 respiradores hospitalares por espantosos 4,2 milhões de reais. Horas depois, num vídeo publicado no site do PT, acusou este colunista de propagar fake news. Também garantiu que o autor da denúncia trocou o jornalismo pela militância política, jurou que jamais comprara um único e escasso respirador e gabou-se de tratar com muito zelo a verba que recebeu para combater a pandemia de coronavirus.

Ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Dilma Rousseff, três vezes prefeito da cidade, o companheiro Edinho agiu com um amadorismo de envergonhar os veteranos corruptos do partido. Esqueceu, por exemplo, de ocultar as provas materiais da vigarice abortada. Esqueceu de combinar com a secretária da Saúde algum script que os livrasse de contradições bisonhas. Esqueceu de montar com especialistas em patifarias um álibi menos mambembe. E esqueceu que existem jornalistas independentes. É o que mostrará amanhã, neste espaço no R7, a reconstituição detalhada da negociata interrompida.

Não percam, leitores. Não perca, prefeito.

Últimas