Augusto Nunes A pandemia decepcionou os profetas do fim do mundo

A pandemia decepcionou os profetas do fim do mundo

Os fatos desmoralizaram os videntes fantasiados de cientistas

O 'youtuber' Átila Iamarino

O 'youtuber' Átila Iamarino

Divulgação/Arquivo Pessoal

No dia 6 de abril, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, resolveu apavorar a população paulista com projeções sobre a pandemia de coronavírus. Ao lado do governador João Doria, ele  avisou que, até o fim de agosto, o vírus chinês provocaria 111 mil mortes só no Estado de São Paulo. Poderia ser pior, ressalvou. Se não fossem as medidas decretadas pelo governo, sugeridas pela comissão de especialistas que incluía o próprio Covas, o total de óbitos chegaria a 277 mil. Em 1° de setembro, os mortos eram 30 mil — 81 mil abaixo da previsão catastrófica. Covas ainda não explicou o que aconteceu. É improvável que encontre alguma explicação.

A sequência de profecias catastrofistas fora inaugurada em 20 de março pelo biólogo Átila Iamarino. Num vídeo de longa metragem, ele antecipou o horizonte sombrio: "Se o Brasil não fizer nada, se as empresas continuarem funcionando em todos os lugares, se a gente não tivesse decretado o estado de emergência, se todo mundo tivesse seguido a vida normal, só pela covid-19 teríamos 1,4 milhão de mortes até o fim de agosto", garantiu. Iamarino baseou-se nos cálculos sinistros do britânico Imperial College: nos 250 dias seguintes, a covid-19 mataria em todo o planeta de 1,8 milhão a 40 milhões de seres humanos. O prazo vencerá neste 7 de setembro. No primeiro dia do mês, o total de óbitos no mundo ainda não chegara a 850 mil.

Toda morte é uma tragédia. Uma imensidão de vidas perdidas é um drama devastador. É sempre um consolo, portanto, constatar que os videntes fantasiados de cientistas foram desmoralizados pelos fatos.

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