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Augusto Nunes

Anedotário do R7: Liz Taylor quase virou primeira-dama do Brasil

O então presidente Jânio Quadros se encantou pela atriz de Hollywood e até a convidou para vir ao país

Augusto Nunes|Do R7

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A atriz Elizabeth Taylor em cena do filme Cleópatra, de 1963
A atriz Elizabeth Taylor em cena do filme Cleópatra, de 1963

Em julho de 1981, durante uma conversa no Palácio Iguaçu, em Curitiba, perguntei ao governador paranaense Ney Braga se ele fora mesmo muito amigo do presidente Jânio Quadros.

— Sim — confirmou o anfitrião. — Aliás, essa amizade inspirou o comentário mais cretino da minha vida…


Depois de uma pausa ligeiríssima, Ney surpreendeu-me com a história que começou em novembro de 1960, na primeira viagem internacional do presidente eleito.

Jânio embarcou num navio cargueiro para passear na Inglaterra. Nem bem chegou a Londres, uma gripe poderosa remeteu-o ao hospital. Ali, soube que a belíssima atriz Elizabeth Taylor também estava na capital britânica para mais um filme. Para completar a favorável conjunção dos astros, dona Eloá, sua mulher, ficara no Brasil. O enfermo imediatamente ordenou a um integrante da comitiva que convocasse o embaixador do Brasil para uma audiência no quarto. Ali, nosso homem em Londres foi instruído em tom imperioso:


─ Quero que o senhor convide a senhora Elizabeth Taylor a visitar-me. Gostaria muito de conhecê-la.

O ex-presidente Jânio Quadros
O ex-presidente Jânio Quadros

Diplomata não se surpreende com nada, mas aquela ideia soou absurda demais. E de complicada concretização: como fazer uma abordagem tão atrevida sem parecer maluco? O olhar de Jânio avisou que era uma ordem. O embaixador achou preferível arriscar-se a um papelão com a atriz a perder pontos com o futuro chefe. E foi à luta.


Outra surpresa: a superestrela de olhos cor de violeta não só não estranhou o convite como prometeu aparecer no dia seguinte. Talvez tenha achado divertido conhecer um presidente sul-americano com fama de doidão. No dia seguinte, apareceu mesmo. Os dois começaram a conversar em inglês. Em cinco minutos, Jânio já estava convidando Liz Taylor a visitar o Brasil. Em seis minutos, a proposta estava aceita. Em sete, ficara combinado que a viagem ocorreria em novembro de 1961. Jânio voltou ao Brasil em estado de graça. E passou os meses seguintes aperfeiçoando o plano de sedução.

─ O homem só falava nisso ─ contou-me Ney Braga na conversa no Palácio Iguaçu. ─ Eu chegava para uma audiência de meia hora e não conseguia falar sobre as questões do Paraná mais que cinco minutos. O resto do tempo ficava para os planos sobre a viagem da Elizabeth Taylor.


Jânio esbanjava excitação:

─ Novembro é quase verão ─ devaneava. ─ Vou levá-la à Amazônia, para conhecer aqueles rios enormes, passear de barco por igarapés. Aquilo é úmido, afrodisíaco. Ninguém resiste, Ney. Vai ser uma loucura.

Até que, na tarde de 25 de agosto de 1961, um ajudante-de-ordens invadiu esbaforido o gabinete do chefe e gaguejou a notícia:

─ Governador, o presidente acabou de renunciar.

─ Não é possível! ─ replicou Ney Braga. — Antes de novembro ele não renuncia de jeito nenhum!

O governador sorriu ao lembrar aquela reação:

─ O ajudante-de-ordens deve ter achado que eu estava louco ─ diz Ney Braga.

Eu também acharia a mesma coisa.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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