O Brasil esconde o tamanho real da epidemia

Nenhum país poderá vencer o vírus chinês sem se basear em estatísticas honestas

Devotos do isolamento eterno usam números absolutos para que ninguém saia de casa

Devotos do isolamento eterno usam números absolutos para que ninguém saia de casa

Antonio Lacerda/EFE - 11.4.2020

A apresentadora do telejornal da Globo não conseguiu disfarçar a animação ao noticiar outra façanha do exército de vírus chineses em ação por estas paragens: o Brasil acabara de ultrapassar a Bélgica no volume de infectados e de mortos pela covid-19. A jornalista não informou que o Brasil tem 210 milhões de habitantes e a Bélgica, 10 milhões. Duzentos milhões a menos.

Para os devotos do isolamento eterno, nada melhor que usar números absolutos para garantir que ou ninguém mais saí de casa ou o fim do mundo vai começar pelo Brasil. A falácia é desmentida pelo método adotado pelos especialistas sérios para avaliar a força da pandemia. Deve-se calcular o número de infectados e mortos por milhão de habitantes.

No Brasil, os casos confirmados vão chegando a 250 000, ou 1.100 por milhão. Os 60 000 infectados na Bélgica informam que lá a relação é 4.700 por milhão. Em números absolutos, o Brasil registrou nesta terça-feira 17 000 óbitos, ou 80 por milhão. Na Bélgica morreu menos gente: cerca de 9.000. Mas esse número representa 780 mortos em cada milhão de habitantes.

Nenhuma morte pode ser reduzida a um número. Mas nenhum país pode combater com sucesso a pandemia sem se basear em estatísticas honestas. As divulgadas pelas autoridades brasileiras não são.