O direito à educação não foi revogado

Prefeitos e professores querem prorrogar a mais extensa quarentena escolar do planeta

Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo - 28.01.2021

Depois de impedir que a prefeita Suéllen Rosin mantivesse em funcionamento algumas atividades que sustentam a economia de Bauru, o governador João Doria vem acompanhando  em silêncio o desfile de decretos municipais que proíbem a volta das aulas presenciais às escolas de São Paulo. Doria se enfurece com prefeitos que abrem o que mandou fechar, mas faz cara de paisagem quando fecham o que mandou abrir.

O governador vive recitando que não dá um passo sequer sem consultar a ciência e a saúde. Se decidiu encerrar a mais extensa quarentena escolar da história, certamente ouviu o que tinham a dizer os especialistas em vírus chinês que o assessoram. Em vez de “autorizar” a retomada das aulas presenciais, por que não tornou a medida obrigatória?

Doria repete de meia em meia hora que tudo o que tem feito se destina a assegurar o direito à vida, prescrito pela Constituição no artigo 5º. O artigo 205 garante também o direito à educação, suspenso desde março. É preciso obrigar todo prefeito a respeitá-lo. É essencial exigir que voltem ao trabalho os militantes que, disfarçados de professores, agora ameaçam entrar em greve.

Longe do local de emprego há um ano, eles insistem em continuar recebendo salários sem dar aulas. Não há vacina para a exaustão causada pelo excesso de descanso. Mas a suspensão do pagamento acaba com qualquer epidemia de vadiagem.

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